Pequenos nadas - passo o pleonasmo - podem determinar a diferença entre os significados de grandes coisas.
Por exemplo: Uma simples vogal "a" pode ser suficiente para distinguir duas palavras; «intangivel» e «inatingivel».
A cada uma destas palavras corresponde um significado próprio e, simultâneamente distante.
A distância entre esses significados, reside sobretudo numa terceira palavra; «compreensão».
Quero dizer o seguinte: para que algo perca a sua qualidade de inatingível, é necessário antes de tudo, que a consigamos entender, compreender, interiorizar e explicar. Depois disso, haverá então condições que permitam atingir esse «algo». Atingido o «algo», estão por sua vez criadas as condições de o tocar, passando o mesmo a ser tangível.
Quer dizer então que à palavra «compreensão», corresponde o artigo «a». Deve ser por esse motivo que sempre que atingimos a compreensão de «algo»soltamos a interjeição «ah!!!).
Ou será que esta interjeição corresponde à verbalização do pensamento introspectivo?
quinta-feira, 8 de novembro de 2012
quarta-feira, 7 de novembro de 2012
think about...
É do pensamento que nasce a palavra e ambos, preenchem e comandam a nossa existência, ditam as nossas acções, colocando-nos num espaço e num tempo que nem sempre nos parece sintonizado com aquilo que pensamos e as decisões de acção que tomamos.
Por isso, talvez, tendemos a separar o dia e a noite, independentemente da luminosidade, mas dependentemente do estado de alerta em que o nosso cérebro se encontra.
Pode ter nascido o sol ha várias horas, mas se nos encontramos a dormir e a nossa actividade cerebral, mesmo que activa, em parte, não nos conduz à construção mental de frases, capazes de ditar acções; se nos mantemos inertes, mesmo que sonhando, então, será noite e nenhuma ação poderá esperar-se da nossa existência.
Apesar de tudo, sendo dia estando o nosso cérebro alerta, é possível fazer com que não processe informação e não gere pensamentos.
Interrompi o processo, para escrever este texto...
;)))
Por isso, talvez, tendemos a separar o dia e a noite, independentemente da luminosidade, mas dependentemente do estado de alerta em que o nosso cérebro se encontra.
Pode ter nascido o sol ha várias horas, mas se nos encontramos a dormir e a nossa actividade cerebral, mesmo que activa, em parte, não nos conduz à construção mental de frases, capazes de ditar acções; se nos mantemos inertes, mesmo que sonhando, então, será noite e nenhuma ação poderá esperar-se da nossa existência.
Apesar de tudo, sendo dia estando o nosso cérebro alerta, é possível fazer com que não processe informação e não gere pensamentos.
Interrompi o processo, para escrever este texto...
;)))
terça-feira, 30 de outubro de 2012
Feios, Porcos... e Maus.
Pergunto aos senhores que discursam
No ecrã do meu receptor,
Se a eles também afectam,
Os males que nos causam dor.
Pergunto-lhes se os filhinhos,
Ao sair da universidade,
Também pedem pel'os cantinhos,
Em busca da felicidade.
Se esses pais tão conscientes,
E de medidas tão austeras,
Os tratam como negligentes,
Como àqueles que ficam à espera.
Ou se correm a metê-los
Na empresa de um amigo.
Dos que são todos desvêlos,
E só olham pr'o umbigo.
Pergunto àqueles trapaceiros
Eleitos para governar,
Se os seus fofos travesseiros
Lhes permitem repousar.
No ecrã do meu receptor,
Se a eles também afectam,
Os males que nos causam dor.
Pergunto-lhes se os filhinhos,
Ao sair da universidade,
Também pedem pel'os cantinhos,
Em busca da felicidade.
Se esses pais tão conscientes,
E de medidas tão austeras,
Os tratam como negligentes,
Como àqueles que ficam à espera.
Ou se correm a metê-los
Na empresa de um amigo.
Dos que são todos desvêlos,
E só olham pr'o umbigo.
Pergunto àqueles trapaceiros
Eleitos para governar,
Se os seus fofos travesseiros
Lhes permitem repousar.
quinta-feira, 25 de outubro de 2012
A permanência de um sonho
Quando ela vai...
Leva no olhar o Sol;
Deixa no meu peito um ai
E ao meu lado, o frio do lençol.
Quando ela vem...
Traz de novo o respirar,
Naquele corpo de ninguém,
Tão urgente de se dar.
E se o meu corpo acorda
Com o seu beijo faminto,
E se um vai-e-vem infinito
Nos projecta numa roda...
Entrelaçam-se os sentidos,
Perdemos do tempo a noção.
Trocam os corpos os fluídos.
Explode-nos a paixão!
Leva no olhar o Sol;
Deixa no meu peito um ai
E ao meu lado, o frio do lençol.
Quando ela vem...
Traz de novo o respirar,
Naquele corpo de ninguém,
Tão urgente de se dar.
E se o meu corpo acorda
Com o seu beijo faminto,
E se um vai-e-vem infinito
Nos projecta numa roda...
Entrelaçam-se os sentidos,
Perdemos do tempo a noção.
Trocam os corpos os fluídos.
Explode-nos a paixão!
quarta-feira, 17 de outubro de 2012
Poema do Crava
Cravo-te os olhos nos olhos
Nesses teus olhos tão belos
E esqueço todos os escolhos
Que ultrapassei para vê-los
Cravo os olhos nesses cabelos
Que te emolduram o rosto
Tão sedosos e tão belos
Tão inteiramente a meu gosto
Cravo os olhos no teu peito
Nessas duas rolas aninhadas
Que me atraem de um jeito
Que só penso em beija-las
Cravo os dedos na cintura
Que te dá esse requebro
Que me provoca a tontura;
Já nem do mundo me lembro
Cravo-te molhos debeijos
Nesses teus lábios carnudos
Porque me sabem a queijos
De outros mundos, oriundos.
Nesses teus olhos tão belos
E esqueço todos os escolhos
Que ultrapassei para vê-los
Cravo os olhos nesses cabelos
Que te emolduram o rosto
Tão sedosos e tão belos
Tão inteiramente a meu gosto
Cravo os olhos no teu peito
Nessas duas rolas aninhadas
Que me atraem de um jeito
Que só penso em beija-las
Cravo os dedos na cintura
Que te dá esse requebro
Que me provoca a tontura;
Já nem do mundo me lembro
Cravo-te molhos debeijos
Nesses teus lábios carnudos
Porque me sabem a queijos
De outros mundos, oriundos.
sábado, 22 de setembro de 2012
As cantigas que regem as revoluções.
Em Abril de 1974, o poema que conduziu a revolução, chamava-se "Grandola Vila Morena", da autoria de José Afonso:
Grândola, vila morena
Terra da fraternidade
O povo é quem mais ordena
Dentro de ti, ó cidade
Dentro de ti, ó cidade
O povo é quem mais ordena
Terra da fraternidade
Grândola, vila morena
Em cada esquina, um amigo
Em cada rosto, igualdade
Grândola, vila morena
Terra da fraternidade
Terra da fraternidade
Grândola, vila morena
Em cada rosto, igualdade
O povo é quem mais ordena
À sombra duma azinheira
Que já não sabia a idade
Jurei ter por companheira
Grândola, a tua vontade
Grândola a tua vontade
Jurei ter por companheira
À sombra duma azinheira
Que já não sabia a idade.
Em Setembro de 2012, cantou-se em frente ao palácio da Presidência da República, em Belém, o poema de José Gomes Ferreira "Acordai!"
Acordai!
Acordai, homens que dormis
A embalar a dor
Dos silêncios vis!
Vinde, no clamor
Das almas viris,
Arrancar a flor
Que dorme na raíz!
Acordai!
Acordai, raios e tufões
Que dormis no ar
E nas multidões!
Vinde incendiar
De astros e canções
As pedras e o mar,
O mundo e os corações...
Acordai!
Acendei, de almas e de sóis,
Este mar sem cais,
Nem luz de faróis!
E acordai, depois
Das lutas finais,
Os nossos heróis
Que dormem nos covais.
ACORDAI!
Em ambas as datas, o povo português, achava-se esgotado, farto de ser oprimido, sequioso de ser dono dos seus destinos.
Em ambas as datas, os governos proclamavam democracia, reivindicavam esforços titânicos, tentando iludir o povo, de que faziam os possíveis e impossíveis para elevar a nação pobre e anémica e por querer fazê-la guindar-se aos níveis económicos capazes de proporcionar a todos os cidadãos uma melhor qualidade de vida, dignidade, justiça e paz.
Em várias alturas da sua história, o povo português, desperdiçou oportunidades excelentes de se cumprir, de atingir o patamar da sustentabilidade económica e social.
Em todas, deixou que se lhe escapassem por entre os dedos, ficando, sempre, consecutivamente, de mãos vazias e de alma a sangrar.
Não sei se está em curso uma nova revolução, porventura mais consciente, tanto das nossas fraquezas como povo, como das nossas qualidades, competências e aptidões.
Se estiver, efectivamente; desejo que essa revolução seja bem dirigida, bem executada e bem aproveitada e que dela venha a nascer uma nova sociedade, mais exigente consigo mesma, mais tolerante e mais coerente, mas disponível e mais corajosa, mais ciente dos seus direitos e das suas obrigações. Uma nova sociedade com um sentido mais apurado de cidadania!
Grândola, vila morena
Terra da fraternidade
O povo é quem mais ordena
Dentro de ti, ó cidade
Dentro de ti, ó cidade
O povo é quem mais ordena
Terra da fraternidade
Grândola, vila morena
Em cada esquina, um amigo
Em cada rosto, igualdade
Grândola, vila morena
Terra da fraternidade
Terra da fraternidade
Grândola, vila morena
Em cada rosto, igualdade
O povo é quem mais ordena
À sombra duma azinheira
Que já não sabia a idade
Jurei ter por companheira
Grândola, a tua vontade
Grândola a tua vontade
Jurei ter por companheira
À sombra duma azinheira
Que já não sabia a idade.
Em Setembro de 2012, cantou-se em frente ao palácio da Presidência da República, em Belém, o poema de José Gomes Ferreira "Acordai!"
Acordai!
Acordai, homens que dormis
A embalar a dor
Dos silêncios vis!
Vinde, no clamor
Das almas viris,
Arrancar a flor
Que dorme na raíz!
Acordai!
Acordai, raios e tufões
Que dormis no ar
E nas multidões!
Vinde incendiar
De astros e canções
As pedras e o mar,
O mundo e os corações...
Acordai!
Acendei, de almas e de sóis,
Este mar sem cais,
Nem luz de faróis!
E acordai, depois
Das lutas finais,
Os nossos heróis
Que dormem nos covais.
ACORDAI!
Em ambas as datas, o povo português, achava-se esgotado, farto de ser oprimido, sequioso de ser dono dos seus destinos.
Em ambas as datas, os governos proclamavam democracia, reivindicavam esforços titânicos, tentando iludir o povo, de que faziam os possíveis e impossíveis para elevar a nação pobre e anémica e por querer fazê-la guindar-se aos níveis económicos capazes de proporcionar a todos os cidadãos uma melhor qualidade de vida, dignidade, justiça e paz.
Em várias alturas da sua história, o povo português, desperdiçou oportunidades excelentes de se cumprir, de atingir o patamar da sustentabilidade económica e social.
Em todas, deixou que se lhe escapassem por entre os dedos, ficando, sempre, consecutivamente, de mãos vazias e de alma a sangrar.
Não sei se está em curso uma nova revolução, porventura mais consciente, tanto das nossas fraquezas como povo, como das nossas qualidades, competências e aptidões.
Se estiver, efectivamente; desejo que essa revolução seja bem dirigida, bem executada e bem aproveitada e que dela venha a nascer uma nova sociedade, mais exigente consigo mesma, mais tolerante e mais coerente, mas disponível e mais corajosa, mais ciente dos seus direitos e das suas obrigações. Uma nova sociedade com um sentido mais apurado de cidadania!
sexta-feira, 7 de setembro de 2012
Avançando...
Andei pelo Norte, percorri o Parque Nacional do Alvão, designado para a eleição das «sete maravilhas». Parei nas aldeias de xisto, indicadas por uma tabuleta que garante ao visitante, terem beneficiado de um programa comunitário de reabilitação e requalificação. Sentei-me à sombra dos castanheiros ao lado dos naturais e auscultei-os, fui um deles (ou tentei que fosse).
São gente resignada, enchem-lhes os olhos, as serranias, os regatos, os lameiros cobertos de milho, o coval e o feijoal. Se lhes pergunto, não sabem nem demonstram interesse em saber quem governa o país, e ainda muito menos ou nada mesmo, o que é a troika, ou o que faz, ou em que medida lhes influência as vivências.
Preocupa-os a saúde da vaquinha barrosã, das pitas e os incêndios... esse flagêlo que à noite lhes chega de povoação conhecida, através dos telejornais.
Erguem-se com o sol e numa cadência natural e ao ritmo das horas, vão cumprindo as tarefas que têm de ser feitas. Depois, recolhem-se ao mesmo tempo que o sol, ceiam e depois de encomendar a alma ao Criador, estendem-se nos lençois que podem ser a sua mortalha, quando o momento chegar. Vivem ao rítmo da Terra.
Escusei-me a perguntar-lhes se esperavam que as "coisas" melhorassem. Não sentem necessidade que assim seja. Aquilo que sentem é que têm uma existência para cumprir e que a duração da mesma não lhes compete decidir.
Retorno, e repenso aquilo que me atormenta o espírito; porque não amamos o que é nosso? Porque não o valorizamos? Porque aceitamos que outros, de outros países, nos enviem dinheiro para reerguermos aquilo que os nossos avós construíram? Por acaso estamos tão incapacitados, tão alienados, que não sejamos capazes de criar com os próprios recursos e as vontades próprias, as condições de vida que ansiamos e que temos tudo para alcançar?
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