sábado, 13 de outubro de 2007

Sim, eu sei...

Sou uma árvore mal plantada
De raízes tortas mal fundadas
Presa a torrões, desamparada
De fracas, nuas e toscas ramadas

Alcandorada numa encosta resvaleira
Enfrentando estios, ventos e chuvadas
Por companhia uma pedra zombeteira
E uma raposa que se perde pelas quebradas

Dias ha, que me acorda um breve canto
De ave que passa sem notar na solidão
Destes ramos que despidos do seu manto
Esquecem nos anos o sabor de uma paixão

Cada inverno, cada verão trazem esperanças
De ser chegado o final deste tormento
Às ventanias vou soltando as lembranças
A cada raio imploro que me toque um momento

4 comentários:

Maria Eduarda Horta disse...

Para árvore mal plantada, não escreves nada mal não senhor.

sombra e luz disse...

...pois é!...
não escrever mal, já seria bom, mas ainda por cima, ele escreve bem... Velha árvore aguenta-te...ainda estás para durar... (e disfrutar?...)

Papoila disse...

Todos somos árvores mal plantadas quando teimamos em não tratar a terra que nos serve de alimento.

Jinhos
BF

lenor disse...

Nesse sítio agreste, não deves ter crescido muito, deves ter ficado bonsai, senão, se fosses encorpado e estivesses assim mal preso à terra, já tinhas tombado. E se estás aí é porque fazes falta aí. Aguenta-te.