quinta-feira, 4 de outubro de 2007

A Debulha...

Como prometi, venho à eira a fim de debulhar o preconceito.
Declaro-me seguidor incondicional da entre-ajuda comunitária, para quem ainda não se livrou de preconceitos e possa estar a conectar esta minha afirmação com uma qualquer ligação política, ou corrente filosófica, esclareço que sou apolítico e as correntes filosóficas a que me acho filiado, são primorosamente privadas e fruto das experiências que a vida me tem proporcionado.
Antes de continuar a debulha, quero convidar todas e todos que (ainda ) lêem aquilo que escrevo, a sentarem-se aqui na eira e a participarem na debulha do preconceito.
Para nos focalizarmos na tarefa proposta, vou apresentar-lhes a matéria a debulhar. Preconceito é um substantivo masculino com o(s) seguinte(s) significado(s): conceito formado antecipadamente e sem fundamento sério; superstição; prejuízo; erro.
Este conceito, que ainda rege a vidinha de muita gente, pode dizer-se que imprime condicionalismos fortíssimos no âmbito da auto-determinação e da auto-estima de quem ainda não "aprendeu" a domina-lo. Uma vez que, pessoalmente não acredito na possibilidade de alguém conseguir viver em sociedade sem que esteja sujeito, mesmo que minimamente, directa ou indirectamente aos efeitos deste agente.
Mas, há ainda um conceito adjacente ao preconceito, não sei se mais limitador que o próprio preconceito e que eu designo por fermento do preconceito. Consiste este, em empolar e fazer proliferer o preconceito, ajudar a que se desenvolva e estenda raizes, tentando a todo o custo que essas raízes abranjam uma área, passo a passo, mais vasta.
Há efectivamente quem viva tão dependente do preconceito, que tenta a todo o custo alimentá-lo e fomentar a sua proliferação.
Há ainda aqueles que, achando-se num meio hostil ao uso do preconceito, auto-martirizam-se com a sua utilização compulsiva, colocando sempre em terceiros a "culpa" por serem vítimas desses preconceito.
Preguntar-me-heis certamente, de que forma poderemos combater com eficácia o preconceito, uma vez que se lhe reconhece a acção limitativa ao direito de cada um se expressar com a liberdade que lhe é devida?
Diz um fulano pensador, daqueles que dizem coisas que são fruto de reflexões acerca daquilo que observam, que um povo precisa de se saber respeitar, par que seja respeitado, e que, para que nos saibamos respeitar, é fundamental que nos conheçamos.
Esta, parece-me ser uma dica bastante concisa e pertinente. Se nos soubermos observar, se conseguirmos resistir ao preconceito e nos auto-conhecermos, passaremos a aceitar-nos e a respeitar-mo-nos da forma natural como somos. Sem etiquetas, sem espartilhos, sem pensamentos pré-concebidos por moralismos que se fundamentaram em vivências, épocas, locais e conjunturas diferentes. É importante sermos capazes de olhar para a nossa vida e para a de todos os que nos rodeiam e sermos capazes de vislumbrar tudo aquilo que pode constituir a felicidade e sobrepor-se ao preconceito. Pessoalmente, interpreto a vida como um monumental "puzzle" (do Mordillo, por vezes), onde só é possível encaixar uma peça, naquela peça e só naquela, e em mais nenhuma outra. Portanto, inventar aquilo que já existe, ou tentar trocar-lhe o sentido, usando o preconceito, limita a possibilidade de se avançar.
Avancemos...

15 comentários:

Sirk disse...

Isto requer uma análise mais apurada. Donde, passarei noutra altura, com mais tempo, para expressar as minhas opiniões.

Desde já avanço ;) que também sou fã incondicional de Mordillo.

Bom post, Bartolomeu.

Avance, sempre!

Tenha um bom dia.

sombra e luz disse...

Tem desfolhada neste bilogue?...

Vou rapar das minhas referências para lembrar que o preconceito é uma moeda com duas faces.
Uma deles serve, a outra só atrapalha... O pré-conceito é conhecimento adequirido por outrem (tanto no tempo como no espaço...) e acrescenta-se constantemente ao manancial de conhecimentos disponíveis no corpo social...não requer experiência individual...costuma chamar-se bagagem cultural...ou l'air du temps...
Normalmente, esses conhecimentos deveriam ser objecto de uma assimilação crítica por parte do indíviduo na sua interacção com a sociedade em que se integra...
Dessa dialéctica surgiriam a imagem de si (individual)e a postura pública (social)...

Bom, chegados aqui esbarramos com a pressão social...e as fraquezas intímas...
A porca começa a torcer o rabo...

O desejo (pulsão) de pertença, de aceitação, íman que nos atrai uns para os outros, obscurece a necessidade de encontrar nesse magnetismo, lugar para um entendimento próprio do mundo e logo uma maneira própria de estar nele...

São as modas...
Ser aceite? arriscar ser rejeitado?...Doí.!!!

E como todos sabemos um animal sempre foge do fogo...Queima...Exige entrega e risco...

O preconceito mata a conquista que cada um tem de fazer da sua própria individualidade....isto se capitular, claro...
O preconceito é conhecimento para ser assimilado, senão não comungamos do tempo e do espaço, com os nossos...

Mas como toda a gente sabe o processo de assimilação, cria no final os seus resíduos...e se bem me lembro, temos mesmo é de mandá-lo pelo cano abaixo...

Usar o preconceito para o denunciar também faz avançar...

(quanto à ideia de despir o preconceito... acho-a bastante enternecedora...demais até...soa a...tenho quinze anos...para sempre...mas bebo o meu conhaque à lareira ouvindo música de câmara e aprecio o meu belo charuto deliciada...no club...claro...)

desculpa se me alonguei...
...encontrei um milho-rei, posso escolher o meu par?...
beijos de fundista... divertida e confiante...

Anabela disse...

A debulha.... eira ....
Por um momento lembrei-me das descamisadas nas noites já frescas do fim do Verão, do convivio nas eiras com quase todos os aldeoes, alguns que só conheciamos com o seu fato domingueiro...
Afinal, transgénicos????
Tb não, mas afinal o que tá para aqui o gajo a escrever??? É critica? É opinião? Constatação?
Avança rapaz......
Talvez um dia eu consiga comentar com pés e cabeça algum dos teus textos :o)

Bartolomeu disse...

Não te esqueças daquilo que estás a prometer Sirk, tal como eu tenho honrado as promessas que te faço.

lenor disse...

As coisas, as noções, existem porque fazem falta e para não lhes sentirmos a falta. Assim sendo, boa tarde! Tarde é aquela parte do dia entre o almoço e o jantar.
tssss tssss

Sirk disse...

Como assim, Bartolomeu?

Anabela disse...

Isto não dá para fazer desenhos?

Bartolomeu disse...

Sombrinha, minha querida e iluminada Sombrinha...
Este blog não tem dimensão limitada, por isso podes alongar-te à vontade...
Como imaginarás (provavelmente) li atentamente o teu comentário, recheado de diferentes e muito interessantes considerações.
Algumas que me levam a reflectir sobre a hipotese da afirmação pela negação.
Sobretudo, terminas com uma consideração assaz interessante... "(quanto à ideia de despir o preconceito... acho-a bastante enternecedora...demais até...soa a...tenho quinze anos...para sempre...mas bebo o meu conhaque à lareira ouvindo música de câmara e aprecio o meu belo charuto deliciada...no club...claro...)"
Não querendo ser peremptório, mas indo sendo ;)) priveligio não o despir de preconceitos, mas sim o aniquilar de preconceitos. Assim como a ampla liberdade aos gostos e prazeres pessoais e (ou) individuais. Se sentir que tenho 15 anos me dá prazer... o sentimento é exclusivamente meu, se me delicio com o charuto o conhaque e a musequinha... desde que não interfira no prazer alheio, nada a objectar...
;))))))

Bartolomeu disse...

Minha querida e amorosa Anabela, ir para a eira numa fresca noite de final de verão, requer nos tempos actuais a obrigatoriedade do uso de camisa, sobretudo se pretendes "conviver" com "quase" todos os aldeões.
O que escrevi minha amada Anabela,´foi uma reflexão sobre as minhas opiniões...
;))))))
Quanto ao avançar... eu avanço... mas tenho de esperar que os aldeões se despachem... chegaram antes de mim... agora vou ter de aguentar.
Livra-te de preconceitos e vais ver que consegues colocar nos comentários os teus pensamentos acerca dos assuntos.
É cá um palpite...
Já te disse que te amo Anabela?
Ah já... ok, pronto.

Sirk disse...

Parece que há sempre quem responda a provocações, ainda que não lhe sejam dirigidas.

Em primeiro lugar, deixe-me avançar que sou gaja que acorda todos os dias com a auto-estima no seu pior, a rondar os 548%, pelo que deve inferir que pouca coisa me intimida (a menos que venha ao volante de um topo de gama da Ferrari). Muito menos, um preconceito. Ao longo da minha vida fui-me habituando andar completamente despida dos ditos e dos demais.
LOOOOOOOOOOOOOOL

Venha daí a "Balbina IV".

;)

Anabela disse...

Tá tudo solto...
Meu bem,
Eu até que me despia, ou descamisava .... e até comentava os assuntos, mas pra isso precisava de os entender, não???
Ahhh pera lá, vou comer sopinha de letras e escrever coisas lindas de morrer. Se para mim fazem sentido? Isso lá importa? O que importa é que soem assim a .... artistas ... modernices... filosofias, enfim paleio :o)
Venha de lá mais Balbina, até pq já encomendei a bolinha para botar no canto superior direito do teu bilogue.
Quem é amiga, quem é?????

sombra e luz disse...

Bartolomeu

Desculpa, não me fiz entender...

claro que é preciso aniquilar o preconceito!... justamente dizia-te que os dejectos (desculpa estas palavras cruas...)devem ir pelo cano abaixo...

O que eu pretendia dizer é que despir o preconceito é um acto de rebeldia consciente, uma atitude de quem, sendo profundo conhecedor do conceito referido e de si próprio, escolhe uma postura diferente da sugerida, ou ditada, dependendo dos casos...

Por isso, aquilo dos quinze anos... era para dizer que a rejeição formal do preconceito faz muito jovem...mas não me convence (não chega!)...
Da boca para fora tudo se pode dizer... É no viver que se mata o dito ou se soçobra ao lugar comum...

Querido... ter quinze anos para sempre é uma atitude de higiene mental necessária... mas não é sabedoria...

Outra coisa, conheço jovens que são tão estereotipados que até dá dó...Muitissímo preconceituosos!...
Conheço velhos valentes que arrostam com as consequências das suas posições sobre a vida e sobre si próprios...Muito valentes!

A liberdade bartolomeu é sempre uma conquista...
Sonho com ela e não desisti de continuar a procurar o meu caminho de a abraçar...

Beijos libertários...(eu não disse libertinos...)e um sorriso amigo...

Papoila disse...

Afilhado BartÔ

Avancando então lá vai....
Vou te contar, muito baixinho, tenhos uns preconceitos (pequenos) ...só não te vou dizer quais.

Jinhos

BF

Papoila disse...

Desculpa lá...mas no meio desta debulhada toda...perdi a maçaroca.

Jinhos
BF

Rosa dos Ventos disse...

Isto é o que se chama um post sem preconceitos ou pré-conceitos!

Abraço sem preconceitos