terça-feira, 11 de setembro de 2007

Diálogo entre Mim e Eu

Desnudo-me au teu olhar, mundo exigente
Dispo-me dos farrapos de trajar
Tentando mostrar-te que só sou gente
Sem querer tropeçar no meu andar

Não me peças por favor, grandes obras
Nem esperes de mim actos heroicos
Pois no final, sei que mos cobras
Exigindo que os mesmos fossem autênticos

Deixa-me mundo, ser pequeno
Esperar sentado pelo dia-a-dia
Não me tentes com a glória de um aceno,
Essa efémera sensação tão fugidia

Vai mundo, procurar outro que queira
Beber dessa taça envenenada
Ha muito me curei dessa cegueira
Hoje, só desejo, terminar com honra esta jornada.

(Acho que vou dar razão ao Eu. Não sei... parece-me que tem mais a ver comigo...)

14 comentários:

sombra e luz disse...

concordo, acho que o Eu tem mais ver consigo...

qual terminar com honra a jornada qual quê? Caminhe... E se gastar a sola dos sapatos, continue a caminhar descalço...mas caminhe...como o primeiro homem no vasto mundo...Essa é a nossa glória!...
Os epitáfios, depois logo se vê...alguém há-de tratar disso...

Bartolomeu disse...

Caminhar descalço... entendo perfeitamente, tenho caminhado descalço ao longo dos tempos, em peregrinação ao interior de mim, por vezes, ao interior de quem partilha comigo o caprichoso caminho.
Mas... no mínimo deixe-me comprar uma biciclete, pode ser Sombra?
Vou passar pela Decatlon, pode ser que estejam em promução.

sombra e luz disse...

passe por onde quiser... e quando o pneu da bicicleta furar é pô-la ao ombro... e continuar...a caminhar...

Esperar sentado pelo dia a dia é que não!...Por favor...

Sirk disse...

Um "Eu" poético era tudo o que gostaria de ser. Porém, a poesia não corre nas minhas veias. Até já fiz umas análises e deu negativo. Oh vida cruel! Oh sorte malvada! (*)
Mas...(**)... tenho fé que um dia venha a sofrer dessa maleita. Até lá, resta-me beber a poesia do Eu que não é meu.

The end.
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(*) Erguer os braços acima da cintura e colocar um semblante sofrido, daqueles que se tem durante uma cólica renal.

(**) Inspirar profundamente e fazer uma pausa de pelo menos 12 segundos e 3 oitavas.

Bartolomeu disse...

Sombrinha, o dia-a-dia é uma metáfora, tenta "conduzir" o/a leitor/a atento/a para o reconhecimento do inevitável que vai sendo utópicamente cocontrariado... dia-a-dia.
;)

Bartolomeu disse...

Sirk (Sir kapa?) essas 3 oitavas são acima ou abaixo?
(cala-te Bartolomeu, não perguntes por respostas para as quais não te achas preparado)
Nessa matéria da poesia a minha opinião tem o mesmo valor que a do meu cão, quando declamo para ele, fica a olhar-me com um ar de estúpido que até dá dó. E, se lhe faço notar isso ele responde-me com um latido condescendente... estúpido és tu òh poeta.
Parece-me que em raciocínio canino poesia pode não passar de um soculento osso, ao passo que no raciocícinio humano, o mesmo conceito altera-se e só passam a valer os pensamentos elevados e as frases floreadas.
Blahhhg... poesia...

Papoila disse...

A cegueira provocada pelo pó que muitos nos tentam enviar para os olhos.
Cegueira da vaidade, da glória facil.

Gosto deste diálogo...

Jinhos BartÔ
BF

Bartolomeu disse...

Jinhossss, Poila.
;))

sombra e luz disse...

...adoro quando você para além de iscreber me eixpilica a puisia...

...e não querendo contrariar o seu cão "O Poeta" não é nenhum estúpido que se esconda atrás de frases elevadas e pensamentos floreados...
(inverti de proposósito...)

A poesia é como a fotografia. Não basta dispor de uma máquina xpto e começar a disparar...é preciso um olhar atrás da objectiva e uma voz atrás do discurso...

Bahhhg...tem mesmo é de caminhar...

Bartolomeu disse...

É Sombrinha... tem um montão de coisa que eu poderia eisplicar pa ocê, em troca de outras que ocê me eisplicaria certamentchi.
Chamesmo-lhe intercâmbiu culturau.
Legau o modo como a poesia pode faser àis pessoa intéragir...
Quê poeta?
Cala-te parvo, os cães não são incluidos no conceito do intercâmbio. Tá bem, gane para aí à vontade para ver se eu me ralo.
blahhhg

Sirk disse...

Bartolomeu, nem as minhas veias são poéticas nem nelas corre sangue azul. Donde, o Sir, e muito menos com "enKapodado", está fora de questão ;).
No que às oitavas diz respeito, peço-lhe que escolha aquela que lhe der mais jeito. :D
Relativamente ao cão e, mais uma vez, à poesia...sou uma nulidade. Viro-me mais para a prosa, designadamente para a narrativa aberta, dado que, proporciona continuidade. Enfim, defeitos quem os não tem.

:S

Bartolomeu disse...

Bom, o facto de não lhe correr sangue azul nas veias, já constitui uma excelente notícia Sirk. No mínimo é sinal que não o tem envenenado (o sangue) o que aumenta as promissórias hipóteses de a termos por muitos anos entre nós.
Posto isto, a minha sugestão é que esqueçamos as oitavas, enquanto isso, vou abrir a porta do jardim ao cão, para podermos conversar em sossego. É que o fulano (o cão) convenceu-se que tem opinião e por vezes chega a ser inconveniente.
Concentremo-nos então na prosa, na qual já notei que é exímia.

Su disse...

pois....eu passo a vida a tropeçar.....em sensações fugidias....tantas vezes cega.....

jocas maradas----poeta:)

Bartolomeu disse...

Su querida Su, não andarás tu a trilhar maus caminhos?
É que a tropeçares dessa forma, arriscas-te a magoar os joelhos e a última coisa que eu quero é ver-te magoada.
.... hum... pensando melhor... um arranhãozito até que podia trazer alguma vantagem.
Qual?
A de eu poder pôr em evidência os meus limitados dotes de enfermeiro, passar um algodãozinho na ferida, embebido de um betadinezinho.
Ah sim, claro que iria soprar, isso está implícito no "tratamento".
:)))