sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

A Estrada...



Quantas estradas será necessário "palmilhar" para que um tipo se sinta um homem?
Aos 14 anos, à mesa do jantar, num mês de Março, anunciei de surpresa aos meus pais: Vou passar estes dias de férias da Páscoa a acampar!
Após alguns momentos de silêncio, a minha mãe, talvez alertada pelo sentido feminino que tudo intuí, perguntou receosa... e com quem vais?
Sózinho, respondi.
Ai filho, é muito perigoso, e para onde vais?
Isso ainda não sei, vou por aí.
Naquela época não eram ainda sonhados os telemóveis, as comunicações eram estabelecidas básicamente por telefone, por carta ou telegrama.
Passados os primeiros minutos de desconcerto, a minha mãe começou a despejar perguntas e a apresentar argumentos desencorajadores, enquanto o meu pai terminava a refeição pacatamente sem se manifestar.
Quando terminámos a refeição a minha mãe, percebendo que os argumentos não estavam a surtir efeito, perguntou a opinião ao meu pai. Ele olhou-a de frente e respondeu: Deixa-o, já tem idade para se saber orientar.
No dia da partida tinha um farnel arranjado, um dinheirinho, muita roupinha quente (porque as noites decorriam frias) e um rol de recomendações quase infindável.
Dei um beijo à minha mãe e disse-lhe sossegadamente: Não se preocupe mãe, está na altura de descobrir o mundo.
A partir daquele dia, muitas foram as saídas e regressos da e à casa paterna e materna. Muitas foram as estradas que palmilhei, muitas foram as gentes com que me cruzei, muito foi o conhecimento e a experiência que bebi de todos eles, muitas foram as partilhas.
Mas... será que me posso considerar um homem?
Algo que o mundo me ensinou a entender, foi precisamente que os caminhos são infinitos, tal como o crescimento, tal como o conhecimento, tal como amadurecimento, tal como o prazer de dar e receber.
Será que algum dia o Homem se irá achar completo?

7 comentários:

Fabulosa disse...

eu acho-te completo... completamente! ;)

claras manhãs disse...

Enquanto por cá andar, é difícil que esteja completo.
Melhorado, quase bem, quase Homem (vou acrescentar Mulher, para o caso de não se entender)
Intuição, ou o que lhe queiras chamar, parece-me que estás lá perto

beijinho

Rosa dos Ventos disse...

É condição humana a insatisfação, daí nunca nos sentirmos completos!
Mas também é verdade que alguns lutaram e lutam muito mais do que outros para, através de mil e uma sendas, se aproximarem mais desse estádio...
Tu és um deles!

Abraço

maria_arvore disse...

Honestamente, é melhor só nos sentirmos completos depois da morte. :)
Pelo menos eu faço tenção de fazer assim. ;)

Helena Paixão disse...

A ser verdade o que tenho lido ultimamente, o objectivo do Homem, entenda-se Humanidade, é a evolução, o aprender o verdadeiro sentido do Amor, que passa pelo amor próprio. Quando o aprender, sentir-se-á completo. Um dia.....

inespimentel disse...

Completos? Acho que não... deixava de haver objectivo... nada mais para descobrir... não é isso que queremos, pois não?
14 anos? porra... que susto!
Dylan, na altura era entre os maiores um deles... ouvir as suas letras era uma revolução, num Portugal a preto e branco a sua música era um pulmão, uma seta indicando o caminho!

tinta permanente disse...

Na verdade,seja qual for o sentido que se quiser dar, o facto é que o Caminho,(essa coisa que supostamente se trata da nossa existência), só se faz caminhando, como sabiamente diz a voz popular.
Este é um excelente exemplo disso.
abraço!