sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

Dois dias depois do ano Novo do Bartolomeu

Bartolomeu...
Por entre uma ligeira penumbra vislumbrei uma figura feminina que me observava colocada de pé, ao lado da cama onde permanecia deitado e que chamava o meu nome.
Em seguida, olhei em redor, tentando erguer-me, mas de imediato, uma vertigem obrigou-me a deitar novamente.
Bartolomeu, chamou de novo a figura feminina que agora ajoelhara ao meu lado e me acariciava dos cabelos diligentemente.
Olhei aquele rosto fino, agradável que me olhava com carinho, mas que eu não conhecia.
Aparentava pertencer a uma mulher que andaria pelos 45 anos, pele clara, lisa, olhos expressivos, enormes, escuros, emoldurados por uma cabeleira forte, brilhante, comprida.
Perguntei-lhe quem era e que lugar era aquele onde me encontrava.
Sorriu-se diligente, enquanto mantinha os seus dedos ocupados com o meu cabelo em suaves carícias.
Não te lembras de mim, Bartolomeu?
Sou a Amélia!
Amélia!?
Uma corrente de pensamentos, atravessou-me a memória num ápice. Um rosário de imágens, de frases, de sons difusos relembraram-me a Amélia que tinha conhecido num momento, que não conseguia lembrar se era distante, ou recente. A memória trouxe-me então a imágem mais nítida dessa Amélia e constatei que diferia daquela que agora se apresentava à minha frente.
Perdão, a senhora não é a Amélia de que me recordo, a Amélia que...
Neste momento a nova Amélia colocou suavemente os seus dedos sobre os meus lábios e, exibindo um sorriso sedutor declarou. Vamos esquecer o passado, a partir deste momento só o futuro irá contar. Combinado?
Sem saber o que responder concretamente, voltei a tentar erguer-me, novamente me assaltou uma vertigem, mas desta vez, suportável. Reclinado na cama, olhei à minha volta, tentando identificar o local onde me encontrava.
Amélia levantou-se também e correu os pesados reposteiros em veludo azul-escuro, quase negros que protegiam o quarto da claridade exterior.
Que dia é hoje, perguntei?
Dia 2 de Janeiro de 2008, respondeu Amélia sorrindo.
Dia 2? Então estou aqui ha 2 dias?
Amélia riu-se de novo - Tens estado a descansar, assim, vais iniciar o novo ano pleno de energia!
Enquanto colocava estas perguntas e recebia as correspondentes respostas, senti que algo no meu pescoço me incomodava. Levantei a mão direita e apalpei o lado esquerdo do pescoço que me parecia dormente e onde tacteei dois pontos, como se fossem duas borbulhas.
Amélia percebeu o meu gesto e aproximando-se da cama onde me encontrava, ajoelhou-se novamente, aproximou o seu rosto do meu e sem que esperasse, depositou um longo e suave beijo nos meus lábios.
Em seguida anunciou, tens o banho pronto Bartolomeu. Quando terminares, dentro destes armários encontras roupas para vestires, basta que escolhas de acordo com o teu gosto.
Isto não pode estar a acontecer comigo, pensei de mim para mim.
Como que adivinhando os meus pensamentos, Amélia depositou novo beijo nos meus lábios, mas desta vez mais ardente, mais intenso, mais prolongado ao qual senti o impulso incontrolável de corresponder. Enquanto nos beijávamos, Amélia libertou-se do longo robe que vestia, ficando somente coberta por uma diáfana camisa de dormir em seda rosa-claro que deixava adivinhar as sensuais curvas do seu corpo.
Atirando para trás os seus longos cabelos negros e fixando de uma forma penetrante o seu olhar em mim, declarou numa ânsia... vais ser completamente meu. Seguiram-se momentos inenarráveis de ardentes beijos e carícias, de novo, perante o meu olhar extasiado Amélia voltava a transformar-se, aparentando estar mais jovem ainda. As carícias mútuas e os beijos aumentaram de rítmo, os corpos de ambos fundiam-se já um no outro, quase indistintos, rolando sobre o vasto leito, apertando-se, colocando-se indistintamente um por cima do outro, desejando ardentemente entrar um no outro. Foi então que Amélia, retirando por completo a breve camisa de seda e, revelando na totalidade o seu esbelto corpo nu, se colocou sobre o meu ventre e segurando com firmeza o meu membro que estalava de rijeza e desejo de a penetrar, num gesto ágil de cintura, o conduziu para o interior de si.
Nesse momento, o céu e a terra rodopiaram vertiginosamente em torno de mim. Cerrei os olhos e deixei-me embalar completamente pelo rítmo que Amélia imprimia ofegante, murmurante. Deliciei-me com a sensação de sentir o seu interior envolvente, de sentir os seus seios rijos pressionando o meu peito, enquanto os seus lábios, junto aos meus, entoávam mormúrios que mais pareciam orações ininteligíveis. De súbito Amélia envolveu-me num abraço, um abraço que apertou ao mesmo tempo que o seu corpo estremecia interiormente e da sua garganta saía um som profundo de fera que caça a presa, denunciador de ter atingido um estado de prazer dilacerante. Aqueles pasmos musculares repetiram-se vezes seguidas. Por um momento Amélia abrandou o rítmo alucinante a que a sua cintura se remexia e a sua cabeça se revolvia, fazendo com que os longos cabelos lhe cobrissem por completo o rosto e o peito. De novo, Amélia retomou os movimentos circulares e de vai e vem que executava com a sua cintura, rins e zona pélvica, de novo me abraçou, sussurou, gemeu e de novo num êxtase incontível, desta vez mais prolongado, o seu corpo estremeceu, enquanto unindo a sua boca com a minha mordia ferozmente os meus lábios.
O calor que emanava do seu corpo queimava e transmitia-me uma sensação que me era desconhecida. Nunca um corpo de mulher me tinha provocado sentimentos tão intensos, como o de Amélia...

13 comentários:

Popper disse...

Ó Bartolomeu andas com sorte. Abração.

Sirk disse...

Depois fumaram um cigarrito, não?
LOOOOOOOOOOOOOOOL

Atenção aos caninos do mordomo. Parecem-me demasiado pontiagudos. Essas vertigens é falta de plasma e não é um LSD.

ihihih

Paula Crespo disse...

Parece que alguém descobriu o elixir da juventude. Ah grande Amélia!...

lenor disse...

Adoro histórias de vampiros. Nem sei como é que adivinhas os meus gostos :)
Agora a sério, essas histórias são uma representação do estar morto sem ter morrido nem envelhecido. Coisa que me baralha as ideias mas que eu acho fascinante.

Bartolomeu disse...

Popper my good friend, sorte define-se como uma conjuntura de ocorrências favorável a um determinado agente, né isso?
pois...vamos lá ver... temos aqui... nesta conjuntura, 3 agentes... até ver... vamos lá ver qual dos 3... ou mais vai sair a ganhar.
lolololol
Um abração Popper!!!!
;))))

Bartolomeu disse...

Perspicáz Sirk... todo o cuidado é pouco. Tb nunca depositei muita confiança em mordomos. Aquela inoquidade e distância que aparentam possuir, esconde sempre uma difracção que por vezes alimenta desejos obscuros.
Se é que me faço entender...
lolololol

Bartolomeu disse...

Paulinha, minha nobre e dedicada amiga!!!!
Estás a levar a "coisa" para o campo da alquímia?
lololol
às tantas, estás a pensar fazer um xarope de sumo de Bartolomeu, engarrafá-lo e colocá-lo á venda nas ervanárias?
lololololol
Um beijão Paula!!!

Bartolomeu disse...

Hummmmmmmm
precisamos explorar essas reflexões em maior profundidade Leozinha.
Estar morto, sem ter morrido...
no mínimo é curioso, lady Godyva.
lolololol
I love this wooooooman!

Rosa dos Ventos disse...

"Ganda" cena antes do pequeno almoço!
Estou para ver onde é que a história da Amélia dos olhos de vampira vai parar...

Bartolomeu disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Bartolomeu disse...

A minha maior dúvida é se irá parar!
Sabes Rosinha?
No imaginário masculino é imperativa a existência de uma vampira, sempre espiada na sombra por um mordomo ecléctico e... o que mais adiante se verá.
Só espero que não entre o burro da Branca Clara Alva das Neves!!!!

Sirk disse...

«...sentimentos tão intensos...
Bart, você está apaixonado. Não tenha a menor dúvida.

:D

Mas a tipa é mesmo taradona!

:D

Ah!, atenção que as empregadas são umas devassas. Essa, ainda acaba consigo. :D

Bartolomeu disse...

A empregada, Sirk...?
Hummmmm boa ideia, vou explorar esse ramo.
lolololol
Beijo Sirkinha linda!!!