sexta-feira, 2 de junho de 2023






 Já fui árvore altaneira,

De fundas raízes, frondosa.

Já dei sombra, dei madeira,

Consideraram-me a mais formosa.

Mas veio um vento de Norte
Um temporal negro, medonho
Que me sacudiu tão forte,
E me torceu num remoinho,
Fazendo que visse o fim, anunciando a morte.
Hoje, jazo nesta margem.
Já sou só um tronco aberto.
Apodrecendo pouco-a-pouco.
E vou assistindo à passagem,
Deste tempo "encoberto",
Destas águas e deste povo.

3 comentários:

lenor disse...

Bartolomeu, ainda bem que estás a descrever o que viste e registaste com as fotografias que mostras. Se estivesses a falar ( ou eu a intuir) de outras coisas eu só comentava com um palavrão.

Bartolomeu disse...

Qual seria o palavrão?
O maior é, pneumoultramicroscopicossilicovulcanoconiótico.

Olinda Melo disse...


Olá, Bartolomeu

O teu poema traça-nos um percurso de excelência
e queda. Vendavais em forma de más decisões de
quem não consegue ver para além do seu umbigo.
Ao fim e ao cabo os desvalidos sofrem sem
esperança de dias melhores.

Um abraço
Olinda