segunda-feira, 5 de abril de 2010

A Natureza

Quando vejo a copa dos pinhais
Recortada no céu amedrontado
Lembra-me sempre ao entardecer,
A dolorosa verdade daqueles ais
Soltos, do teu corpo alquebrado
Gasto, de tanto mundo percorrer

É que não penso na Natureza
Ou na música. Ou n'outro tema
Só noto nos teus olhos a crueza
De um filme antigo de cinema

Que passou célere pelo ecrã
Sem te dar tempo a decorar a deixa
A saborear o café da manhã
legando-te no cabelo a madeixa

Alva como a neve que te gela
O interiror desse corpo que foi fogo
A pele enrugada, que foi bela.
O tabuleiro, onde se joga este jogo.

13 comentários:

Baila sem peso disse...

Avançando poéticamente
poéticamente tão em fogo
que no fogo ardentemente
se sente esta alma da gente...

E não penso na suave madeixa
nem na neve interior da montanha...
nem penso naquela beleza que deixa
a mente, ver surgir noite tamanha!

Penso na Mãe Natureza que incendeia
que a todos nós no Caminho permeia
não escolhe quem enfeita tela do ecrã

Penso que esse tabuleiro é ameia
é a base, casa correcta do talismã
onde todos nascem, para ver a manhã!

Peço desculpa Bartolomeu
foi aquilo que me saiu
ao ver este poema de Natureza
traduzindo Vida em beleza!!!

E como és gulotão fica então um beijão
para um bom fim-de-semana, pois então!:)))))))

Rosa dos Ventos disse...

O envelhecimento tratado de forma muito poética!
Parabéns, Bartô!
Ainda bem que deste sinais de vida de uma maneira tão bonita...

Abraço

Fenix disse...

Amigo Bartolomeu,
"Que passou célere pelo ecrã
Sem te dar tempo a decorar a deixa..."
Sabes que nos últimos meses, tem sido esse o meu estado de alma?!
A tua sensibilidade para captar a vida, de uma forma tão poética, comove-me!
Beijos

Bartolomeu disse...

É singularmente fantástica, a empatia que um poema pode gerar entre as pessoas!
Bailem as almas, sem peso, sempre!
;))

Bartolomeu disse...

Olá Rosinha!
O envelhecimento é um fenómeno que começa no segundo imediato à nascença, mas que só começamos a entender... quando já somos velhos.
hehehehehehe!!

Bartolomeu disse...

Ave que renasce das cinzas, creio que serão poucos aqueles que, na altura do pano correr, tenham as deixas todas decoradas.
No entanto... todos desempenharam o papel que lhes foi atribuído, mesmo pensando que, se o encenador lhes tivesse atribuído outro, diferente, teríam obtido do público, muito mais aplausos.
Bah!!!
Vaidades de actor...
;))))
Um beijão, minha Amiga!

Sandra disse...

Belo, sem dúvida!
Deixa-me a pensar no tempo a vir...e no tempo que foi...e no que fazemos do tempo...e no que queríamos fazer dele...e o que ele nos permite fazer: pouco...muito pouco para aquilo que se quer!
(suspiro)
:)

Popper disse...

URGENTE
Boas kamarada,
Vê se vais ao teu mail c_torcato pois tem msg minha e tb n respondeste à anterior.
Cps
KPopper

tinta permanente disse...

Um belo filme antigo, escrito com imagens como as que só 'aqueles' realizadores eram capazes! Perfeito!...
abraço!

Bartolomeu disse...

Olá Sandra!
Tambem me parece que a vida se condiciona demasiado ao pensamento...
Mas... desde que foi descoberto que só se existe, se pensarmos...
;))))

Bartolomeu disse...

Olá meu Amigo Tinta!
Somos todos uns verdadeiros fazedores da história!
;)))

IMaria disse...

Gosto de poesia e dos seus meandros. Gostei aqui do que li.

isabel

Bartolomeu disse...

Olá Isabel!
Poesia... tambem gosto, muito. Considero-a uma forma agradável de exteriorizar os sentimentos e as reflexões.
Gosto também da tua boneca!
;)))