sábado, 20 de fevereiro de 2010

Tu...

Soaste-me nua na curva de um grito
Rouca, forte, expressão intemporal
Deusa poderosa em altar bendito
Arrastando o leito bravo do temporal

E... assim ficaste meia louca
Passando por mim sem me conhecer
Rasgando o peito, cerrando a boca
Perdendo a noite, no amanhecer

Amantes vagos visitam-te o corpo
Bailam-te vazios de nada e de ser
Pedem-te caprichos e sonhos vãos
Estendes-lhes as mãos... um copo
Lês-lhes nos olhos o desejo a arder
Seguras o tempo, buscando a razão
E dás-te a eles, sem te conhecer

17 comentários:

Fenix disse...

Olá
Vim espreitar...
A atmosfera deste poema remeteu-me para as minhas recordações de leituras de Charles Baudelaire! Admiro profundamente a alma dos poetas!

Bartolomeu disse...

;))))
Bondade tua Phénix!
Mas... honrosa sem dúvida... talvez no "obcessão"(?!) com muitíssimo boa vontade, consigamos encontrar leves parecenças...
O "talvez" deixa sempre aberto o vazio onde tudo cabe.
;)
Um grande beijo Phénix, ave mágica do paraíso!

Baila sem peso disse...

A Terra gira toda nesse teu condão
achei uma beleza de ser na condição
será que estou enganada, ou não?!...
Amante e muda, tão zangada sem se conhecer
cheia de desejo da seiva, dela própria beber!
E onde fica a Razão?!
E o Tempo?
Ah, que confusão de amantes de corpos ardentes
que fazem a vida das gentes...

Sem qualquer favor
acho que está um "primor"!! :)

e meu beijo,
e boa semana, pois então!

Silvana Nunes .'. disse...

É verdade, amiga Fênix. Esse poema tem a alma de Baudelaire.
FOI DESSE JEITO QUE EU OUVI DIZER... deseja uma boa semana para você.
Saudações Florestais !

Catarina disse...

Deixo de visitar por uns dias e quando regresso há coisas novas!
Baudelaire, hein?! Uma figura segundo parece muito controversa. Ainda não li “As flores do mal” – talvez deva acrescentar esse a esta pilha de livros aqui na minha frente! : )
Continuo a admirar o seu talento poético, Bartolomeu.

MagyMay disse...

Não tenho porquês... simplesmente, foi um momento lindo ler este poema

Bartolomeu disse...

É verde minha amiga, a Terra gira, gira incessantemente como se Bailasse sem peso.
E nós com ela, vamos girando também.
Talvez por isso sinta o privilégio de ver aparecer no meu blog, tanta gente gira.
;))))
Retribuo esse beijo bailarino, leve como se não tivesse peso.
;)

Bartolomeu disse...

Silvana Nunes, Saravá!
;)
Bem-vinda ao blog de inspiração "Ney Matogrosso"!

Bartolomeu disse...

Pois é Catarina, minha estimada amiga... o mundo não para a sua natural dinâmica, talvez seja essa dinâmica a responsável pela nossa capacidade de nos surpreendermos, a nós e àqueles que partilham os carreiros conosco...
Talvez...
Mas olha Catarina, aquilo que me admira verdadeiramente, é o facto de alguem conseguir-se admirar com aquilo que julga ser o meu talento.
;))))))
Um beijão minha amiga!!!

Rosa dos Ventos disse...

Segurar o tempo é a suprema loucura!
Belo poema o teu, Bartô...

Abraço

Bartolomeu disse...

É uma louca loucura, concordo Rosinha.
É de loucas loucuras que se enchem os sonhos, né minha amiga?
Um beijão Rosinha das Ventanias!
;)

Bartolomeu disse...

Até parece que saltei um comentário, não foi Magy?
Mas não!
Antes de te agradecer a visita quis dar um saltinho ao "Trivialidades e Croquetes" e sabes o que encontrei?!
Uma escrita interessantíssima e uma mulher que se define reflexiva.
Excelente!

Catarina disse...

Agora que estou a ficar perita nesta coisa de blogues, apercebo-me que as pessoas não se afastam muito da sua matriz (deduzo eu... quem sabe erradamente) quer utilizem pseunónimos ou não. Mas como não há regra sem exceção (ainda acho estranho o “pezinho” ter desaparecido), aparecem sempre aqueles ou aquelas que se escondem por detrás de um “nickname” para despejar toda a raiva, toda a maledicência que os(as) locupletam ao ponto de perderem por completo o velho bom senso.

Isto tudo, Bartolomeu, para dizer que é bastante agradável passar por estes blogues – como o teu (já te estou a tutear...) e outros cujos autores te visitam – onde passamos momentos aprazíveis, bem humorados e onde se denota uma certa ternuna – ternura blogosférica, mas ternura na mesma. As comunidades bloguistas dão-nos a oportunidade de confraternizar, de trocar impressões, de aprender, de abrir ou ampliar horizontes... de rir também... Como as pessoas não aproveitam estas oportunidades para suavizarem o seu carácter, o seu temperamento, as suas rotinas monótonas (talvez).. eu não entendo. Sabes do que estou a falar de certo...

Bartolomeu disse...

Yah Catarina, sabemos ambos a que(m) te referes.
Mas como já tive oportunidade de te referir anteriormente, a minha experiência bloguista, diz-me que, com frequência "nem tudo é aquilo que pode parecer".
Não quero dizer com isto que se deva desconfiar de tudo e de todos.
Mas, talvez seja prudente não avaliar as coisas, as pessoas e as palavras blogosféricas, do mesmo modo e pela mesma bitola que utilizamos quando estamos no campo pessoal.
Ou seja... à partida, é bom que se saiba relativizar.
;))

Catarina disse...

É possível que tenhas razão e vou seguir o teu conselho, relativizando...

Bartolomeu disse...

;)))))
És infinatamente mais inteligente e prespicaz que só isso, minha amiga Catarina!
;))))))

Catarina disse...

Tudo é relativo…… : ) : )