Este fim-de-Semana, como às vezes faço, apeteceu-me sair sem destino.
O tempo não prometia nada definido, nem chuva nem sol, mas isso pouco me importou.
Aquilo que quis foi sair, atravessar o mundo, mesmo que somente um mundo reduzido, mas sobretudo, um mundo imprevisto, não programado.
Atravessei o Tejo em Vila Franca de Xira e depois de passar em Porto Alto, senti-me finalmente entrar, aos poucos, naquela dimensão de épocas passadas a que a vastidão das estradas alentejanas, praticamente desertas, possuem o "dom" de me transportar.
E assim fui, continuando sempre em direcção ao Sul, sem destino e sempre envolto em pensamentos que me transportavam para outras dimensões, ideais para reflectir sobre o que o passado guardou e que ilusoriamente, concedo, sejam a preparação para um futuro impossível de adivinhar, mas que se sente venha a ser penoso.
Em determinada altura inflecti a marcha para Oeste e continuei em frente até atingir o mar. Zambujeira do Mar. O local encontrava-se deserto, ninguém nas ruas, ao fundo o bramir do mar atraíu-me até ao miradouro junto à igrejinha de Nossa Senhora do Mar.
Ali fiquei durante longos minutos, talvez uma hora, ou mais, de frente para o mar imenso, apreciando o voo acrobático das gaivotas e outras aves marinhas que desafiavam as cristas e o ribombar das enormes ondas e, depois de uma volta larga, elevavam-se acima da arriba, suavemente, planando de frente para o vento, asas bem abertas, soltavam um estridente grasnado e poisavam na beira do miradouro, sacudindo as penas e as asas, assim como que a dizer-me : gostaste do meu voo? Queres experimentar? Anda, atreve-te, vais ver que não existe sensação de maior liberdade, que a de planar rasando a superfície do mar, subir mais alto que as falésias, e picar vertiginosamente sobre um peixe descuidado, lá em baixo, quase à superfície.
Anda, vem experimentar, liberta-te dessas amarras que te prendem os pés à terra e a essas regras mesquinhas que vos condicionam, humanos e vos tentam a ser senhores de ilusões e quimeras que nunca alcançareis.
Vem, vem voar comigo...
E Abria as asas como que a seduzir-me, ensaiava um voo, voltava a poisar as patas sobre o parapeito e desafiava-me; então? não tens coragem? Anda, abre bem os braços, respira fundo, solta-te desse chão, deixa os caminhos traçados para andares e descobre o infinito, vem!
Senti-me invadir por um desejo forte de seguir aquela gaivota quando ela finalmente abriu de novo as enormes asas e se elevou um pouco para em seguida mergulhar em direcção aquele mar imenso. Na garganta ainda prendi um grito; espera!, o braço ainda ficou por momentos estendido na direcção daquela gaivota desafiadora... depois, baixei os olhos e jurei... um dia, um dia destes vou ganhar asas e então... VOAREI!
O tempo não prometia nada definido, nem chuva nem sol, mas isso pouco me importou.
Aquilo que quis foi sair, atravessar o mundo, mesmo que somente um mundo reduzido, mas sobretudo, um mundo imprevisto, não programado.
Atravessei o Tejo em Vila Franca de Xira e depois de passar em Porto Alto, senti-me finalmente entrar, aos poucos, naquela dimensão de épocas passadas a que a vastidão das estradas alentejanas, praticamente desertas, possuem o "dom" de me transportar.
E assim fui, continuando sempre em direcção ao Sul, sem destino e sempre envolto em pensamentos que me transportavam para outras dimensões, ideais para reflectir sobre o que o passado guardou e que ilusoriamente, concedo, sejam a preparação para um futuro impossível de adivinhar, mas que se sente venha a ser penoso.
Em determinada altura inflecti a marcha para Oeste e continuei em frente até atingir o mar. Zambujeira do Mar. O local encontrava-se deserto, ninguém nas ruas, ao fundo o bramir do mar atraíu-me até ao miradouro junto à igrejinha de Nossa Senhora do Mar.
Ali fiquei durante longos minutos, talvez uma hora, ou mais, de frente para o mar imenso, apreciando o voo acrobático das gaivotas e outras aves marinhas que desafiavam as cristas e o ribombar das enormes ondas e, depois de uma volta larga, elevavam-se acima da arriba, suavemente, planando de frente para o vento, asas bem abertas, soltavam um estridente grasnado e poisavam na beira do miradouro, sacudindo as penas e as asas, assim como que a dizer-me : gostaste do meu voo? Queres experimentar? Anda, atreve-te, vais ver que não existe sensação de maior liberdade, que a de planar rasando a superfície do mar, subir mais alto que as falésias, e picar vertiginosamente sobre um peixe descuidado, lá em baixo, quase à superfície.
Anda, vem experimentar, liberta-te dessas amarras que te prendem os pés à terra e a essas regras mesquinhas que vos condicionam, humanos e vos tentam a ser senhores de ilusões e quimeras que nunca alcançareis.
Vem, vem voar comigo...
E Abria as asas como que a seduzir-me, ensaiava um voo, voltava a poisar as patas sobre o parapeito e desafiava-me; então? não tens coragem? Anda, abre bem os braços, respira fundo, solta-te desse chão, deixa os caminhos traçados para andares e descobre o infinito, vem!
Senti-me invadir por um desejo forte de seguir aquela gaivota quando ela finalmente abriu de novo as enormes asas e se elevou um pouco para em seguida mergulhar em direcção aquele mar imenso. Na garganta ainda prendi um grito; espera!, o braço ainda ficou por momentos estendido na direcção daquela gaivota desafiadora... depois, baixei os olhos e jurei... um dia, um dia destes vou ganhar asas e então... VOAREI!