O meu país, falece.
E falece porquê, pergunto-me, olhando à minha volta, fazendo uma rectrospectiva daquilo que conheço do meu país e das suas gentes... e posso dizer que conheço bastante, sem que o conheça totalmente.
Um país, porque também é composto por gente, encontra-se em permanente mudança. É verdade mas, não compreendo que essa permanente mudança, possa ser a causa da doença súbita que o atacou e o debilita, sempre mais, a cada dia que passa.
Ha uns anos, conheci uma historieta de bolso, que contava a conversa entre os vários órgãos do corpo e a importância vital que cada um atribuía a si mesmo, afirmando todos, e cada um por si, que se "entrassem em greve", o corpo adoeceria, ficaria febril, entraria em estado comatoso e faleceria.
Não precisamos possuir formação médica para perceber a evidência. Basta que um dos nossos orgãos vitais, pare de funcionar, para que o corpo comece a colapsar e acabe mesmo por falecer.
Mas a verdade, olhando bem à minha volta, é que, este imenso corpo que somos todos nós, parece por um lado querer desistir de funcionar, mas por outro percebe que se o não fizer, falecerá inevitávelmente. Esta dualidade de sentimentos, traz o meu país e as suas gentes numa completa desorientação, numa imensa ansiedade.
O cérebro lateja-nos, porque os intestinos não evacuam, esses não o fazem, porque o estômago não lhes fornece a matéria necessária para fabricar o quilo que enriquecerá o sangue. O coração, tasquinha uma ração de sangue pobre, fraco, mediocremente oxigenado por uns pulmões atrofiados.
Em reunião de conselho, os orgãos declaram-se impotentes para manter vivo um corpo que afinal, possui tudo o que necessita para readquirir a saúde... menos o ânimo, menos a convergência de vontades, menos a visão de futuro, menos o entendimento e a consciência concreta do presente.
O meu país falece. Mas, EU não quero que ele faleça!
Eu já conheci o meu país saudável, não rico, mas sustentado e a atingir a sustentabilidade. Já conheci as suas gentes felizes, laboriozas, produtivas e produtoras. Eu continuo a ver o meu país e as suas gentes, capazes de se renovar, mudando o paradígma actual, importado de uma realidade que não lhe pertence, para um modelo genuíno que é nosso, adaptado às nossas reais qualidades, desejos e competências.
Segundo Pessoa e Agostinho da Silva, ainda não nos cumprimos, Portugal ainda se não cumpriu... Cumpramo-nos!
sábado, 15 de outubro de 2011
terça-feira, 4 de outubro de 2011
Porque será?
O que me trava o andar,
E me enfraquece o querer?
Se tenho olhos para ver,
Se tenho pernas para andar.
O que me turva a razão,
E não me deixa crescer.
Porque me dizem que não,
Porque me querem prender?
Porque não entendem o desejo
Que tenho, de ir mais além?
Porque não crescem também?
E são mais do que eu almejo?!
Não me parem, não me empurrem.
Deixem-me caminhar solto.
Não me ergam, nem derrubem,
Nem me expulsem... porque eu volto.
;)
E me enfraquece o querer?
Se tenho olhos para ver,
Se tenho pernas para andar.
O que me turva a razão,
E não me deixa crescer.
Porque me dizem que não,
Porque me querem prender?
Porque não entendem o desejo
Que tenho, de ir mais além?
Porque não crescem também?
E são mais do que eu almejo?!
Não me parem, não me empurrem.
Deixem-me caminhar solto.
Não me ergam, nem derrubem,
Nem me expulsem... porque eu volto.
;)
quinta-feira, 29 de setembro de 2011
Outono
Chega já o mês de Outubro
Para confirmar o Outono.
É com ele que eu me cubro
E que o Verão abandono.
No final dos dias, lucubro
Preparando já o Inverno.
Esqueço tudo que ainda lembro
E ao chegar a noite, hiberno.
Sinto já grandes saudades
Do passado Verão, rubro.
Das madrugadas, das tardes
Já mais frias, em Outubro.
Mas para colmatar a diferença,
De uma estação sonolenta.
Lá vou marcando presença
Num regaço que me acalenta.
E quando o Inverno chegar,
Mais a chuva tamborileira,
Já me estarei a aconchegar,
Na sob a tua pele fagueira.
Para confirmar o Outono.
É com ele que eu me cubro
E que o Verão abandono.
No final dos dias, lucubro
Preparando já o Inverno.
Esqueço tudo que ainda lembro
E ao chegar a noite, hiberno.
Sinto já grandes saudades
Do passado Verão, rubro.
Das madrugadas, das tardes
Já mais frias, em Outubro.
Mas para colmatar a diferença,
De uma estação sonolenta.
Lá vou marcando presença
Num regaço que me acalenta.
E quando o Inverno chegar,
Mais a chuva tamborileira,
Já me estarei a aconchegar,
Na sob a tua pele fagueira.
terça-feira, 30 de agosto de 2011
Cogitações antes do deitar...
Daqui, de onde estou, consigo ver o sol
beijando o mar.
E depois, devagarinho, esconder-se
do outro lado do mundo.
Sorrio e penso. Será que apetece ao sol
brincar com o meu olhar?
Em seguida, escurece, o sol perde-se
e em volta, o mar, fica mais fundo.
beijando o mar.
E depois, devagarinho, esconder-se
do outro lado do mundo.
Sorrio e penso. Será que apetece ao sol
brincar com o meu olhar?
Em seguida, escurece, o sol perde-se
e em volta, o mar, fica mais fundo.
Um versinho pá Rosa...
A metade de mim
que já não sou
Repousa nesse jardim
onde um dia, nosso amor se consumou.
E a rosa molhada,
que sobre o peito, descansa
Olha-me ainda pura, encarnada.
Lembrança de uma paixão mansa.
E ainda, plácidamente me embala
como valsa roçagante
Ainda pelo meu corpo resvala
Quando desejas ser minha amante.
A metade de mim, que fui
Guarda-se na memória do tempo
Um tempo que parou, mas flui
Quando do meu ser se solta um lamento.
que já não sou
Repousa nesse jardim
onde um dia, nosso amor se consumou.
E a rosa molhada,
que sobre o peito, descansa
Olha-me ainda pura, encarnada.
Lembrança de uma paixão mansa.
E ainda, plácidamente me embala
como valsa roçagante
Ainda pelo meu corpo resvala
Quando desejas ser minha amante.
A metade de mim, que fui
Guarda-se na memória do tempo
Um tempo que parou, mas flui
Quando do meu ser se solta um lamento.
quinta-feira, 25 de agosto de 2011
Ai os meus marmelos!
O burro do Ti Xico comeu-me os marmelos todos.
Não eram muitos, não passariam de uma dúzia, mas estavam lindos e eram os primeiros que a árvore produzia desde que há 2 anos a plantei.
-Não é burro! É macho espanhol, afirma o Ti Xico pela enésima vez, colocando algum ênfase na frase. Eu, para o arreliar, refiro-me sempre ao Gaspar, designando-o por burro.
-Você não vê que um burro é mais pequeno...?!
-Para mim é burro, Ti Xico. Tem aspecto de burro... se é maior ou não, não sei. É burro!
-Ah!!! É macho! É filho de burro com égua, por isso não é burro...
Quando ontem ao fim do dia me dirigi ao pomar, para regar as árvores, topei com o Gaspar lá ao fundo a tasquinhar os últimos marmelos.
-Ah malvado! Salta daí, burro maluco! Seu sacana, comeste-me os marmelos todos...
O Gaspar espetou as orelhas, esticou as beiçolas, e mandou dois ou três zurros, que me deixaram sem perceber muito bem, se me estava a agradecer, ou a mandar bugiar.
Quando cheguei mais perto, percebi que se tinha soltado da corda com que o Ti Xico o prende a uma estaca e então, decidira provar os meus marmelos.
Passada a zanga e depois de voltar a prender o Gaspar no sítio, lembrei-me de uma certa tarde de verão; teria uns doze anos e ajudava uma vizinha dois anos mais velha, repetente, a preparar-se para os exames de segunda chamada.
Rosa, vinha quase todos as tardes a minha casa, para rever a matéria dada durante o ano lectivo e tentar esclarecer dúvidas. Ficávamos numa pequena sala de costura, que dava para as traseiras da casa, sentados a uma mesa redonda, onde com enfado, a Rosa estendia livros e cadernos e ficava especada a olhar para mim, esperando pelo milagre de uma injecção de sabedoria.
Eu, tentava "espremer" da miúda as dificuldades que sentia, para tentar explicar-lhe aquilo que necessitava saber para passar nos exames.
Rosa, passava o tempo a divergir para conversas que nada tinham a ver com a matéria e que não colhiam minimamente o meu interesse.
Naquela tarde, apareceu de saia azul e blusa branca.
Vinha diferente.
Parecia que transportava uma luz, um brilho, algo que me provocou uma sensação de nervosismo e que não consegui perceber muito bem.
Sentou-se à minha frente como de costume. Poisou os livros e os cadernos sobre a mesa e ficou a olhar-me de frente, com um leve sorriso a bailar-lhe nos lábios.
Notei que tinha dois botões da blusa branca, desabotoados. Notei que sob o tecido semi-transparente da blusa, dois pontos rosados, faziam o tecido levantar.
Petrifiquei o olhar naqueles pontos.
Os sentidos em alvoroço e uma atrapalhação indescritível, assaltaram-me. Como que sob um efeito hipnótico, o olhar fixo nos rosados mamilos de Rosa, condicionava-me o raciocínio.
Sem proferir uma palavra e sem desviar o seu olhar do meu, Rosa, pegou-me na mão direita e colocou-a sobre o seu seio direito.
-Mexe! disse ela baixinho, mantendo sempre o mesmo sorriso e o olhar fixo no meu.
Não mexi. Toquei ao de leve, o suficiente para sentir a maciez da pele, a rijeza do mamilo, o calor da carne.
Rosa, colocou então a sua mão sobre a minha e exerceu alguma pressão. Tentei retirar a minha, mas Rosa segurou-a e conduziu-a até ao outro seio, igualmente macio, rijo e quente, semi-cerrando os olhos e soltando um leve gemido.
Senti o rosto afogueado, invadiu-me uma sensação de embriaguez, algo que nunca tinha sentido até ali. Sobre as calças, elevou-se um feroz desejo de algo que não sabia identificar mas que me impelia a abraçar e beijar Rosa.
Assim foi, mas dali não passou.
Rosa, recolhendo os livros e cadernos, levantou-se de um salto e anunciou que se tinha esquecido de um compromisso, que tinha de ir embora.
Saiu.
A natureza cumpriu a sua parte!
Alguém inventou o ditado: "O primeiro milho é dos pardais". Esqueceu-se de acrescentar: "Os primeiros marmelos são do burro".
Ai... do burro não. Do macho espanhol!
;))))))
Não eram muitos, não passariam de uma dúzia, mas estavam lindos e eram os primeiros que a árvore produzia desde que há 2 anos a plantei.
-Não é burro! É macho espanhol, afirma o Ti Xico pela enésima vez, colocando algum ênfase na frase. Eu, para o arreliar, refiro-me sempre ao Gaspar, designando-o por burro.
-Você não vê que um burro é mais pequeno...?!
-Para mim é burro, Ti Xico. Tem aspecto de burro... se é maior ou não, não sei. É burro!
-Ah!!! É macho! É filho de burro com égua, por isso não é burro...
Quando ontem ao fim do dia me dirigi ao pomar, para regar as árvores, topei com o Gaspar lá ao fundo a tasquinhar os últimos marmelos.
-Ah malvado! Salta daí, burro maluco! Seu sacana, comeste-me os marmelos todos...
O Gaspar espetou as orelhas, esticou as beiçolas, e mandou dois ou três zurros, que me deixaram sem perceber muito bem, se me estava a agradecer, ou a mandar bugiar.
Quando cheguei mais perto, percebi que se tinha soltado da corda com que o Ti Xico o prende a uma estaca e então, decidira provar os meus marmelos.
Passada a zanga e depois de voltar a prender o Gaspar no sítio, lembrei-me de uma certa tarde de verão; teria uns doze anos e ajudava uma vizinha dois anos mais velha, repetente, a preparar-se para os exames de segunda chamada.
Rosa, vinha quase todos as tardes a minha casa, para rever a matéria dada durante o ano lectivo e tentar esclarecer dúvidas. Ficávamos numa pequena sala de costura, que dava para as traseiras da casa, sentados a uma mesa redonda, onde com enfado, a Rosa estendia livros e cadernos e ficava especada a olhar para mim, esperando pelo milagre de uma injecção de sabedoria.
Eu, tentava "espremer" da miúda as dificuldades que sentia, para tentar explicar-lhe aquilo que necessitava saber para passar nos exames.
Rosa, passava o tempo a divergir para conversas que nada tinham a ver com a matéria e que não colhiam minimamente o meu interesse.
Naquela tarde, apareceu de saia azul e blusa branca.
Vinha diferente.
Parecia que transportava uma luz, um brilho, algo que me provocou uma sensação de nervosismo e que não consegui perceber muito bem.
Sentou-se à minha frente como de costume. Poisou os livros e os cadernos sobre a mesa e ficou a olhar-me de frente, com um leve sorriso a bailar-lhe nos lábios.
Notei que tinha dois botões da blusa branca, desabotoados. Notei que sob o tecido semi-transparente da blusa, dois pontos rosados, faziam o tecido levantar.
Petrifiquei o olhar naqueles pontos.
Os sentidos em alvoroço e uma atrapalhação indescritível, assaltaram-me. Como que sob um efeito hipnótico, o olhar fixo nos rosados mamilos de Rosa, condicionava-me o raciocínio.
Sem proferir uma palavra e sem desviar o seu olhar do meu, Rosa, pegou-me na mão direita e colocou-a sobre o seu seio direito.
-Mexe! disse ela baixinho, mantendo sempre o mesmo sorriso e o olhar fixo no meu.
Não mexi. Toquei ao de leve, o suficiente para sentir a maciez da pele, a rijeza do mamilo, o calor da carne.
Rosa, colocou então a sua mão sobre a minha e exerceu alguma pressão. Tentei retirar a minha, mas Rosa segurou-a e conduziu-a até ao outro seio, igualmente macio, rijo e quente, semi-cerrando os olhos e soltando um leve gemido.
Senti o rosto afogueado, invadiu-me uma sensação de embriaguez, algo que nunca tinha sentido até ali. Sobre as calças, elevou-se um feroz desejo de algo que não sabia identificar mas que me impelia a abraçar e beijar Rosa.
Assim foi, mas dali não passou.
Rosa, recolhendo os livros e cadernos, levantou-se de um salto e anunciou que se tinha esquecido de um compromisso, que tinha de ir embora.
Saiu.
A natureza cumpriu a sua parte!
Alguém inventou o ditado: "O primeiro milho é dos pardais". Esqueceu-se de acrescentar: "Os primeiros marmelos são do burro".
Ai... do burro não. Do macho espanhol!
;))))))
quarta-feira, 24 de agosto de 2011
A distância e o tempo
Sempre acho, que o ponto de onde observamos, pode condicionar a forma como entendemos.
Ou seja; se nos encontrarmos num determinado ponto de uma fila de gente, com a finalidade de chegarmos a outro ponto, que poderá ser a bilheteira de um teatro, por exemplo; difícilmente teremos a percepção da distância a que nos encontramos desse ponto, ou, e, do número de pessoas que se encontram entre nós e o ponto que desejamos atingir.
Contudo, se tivermos a possibilidade de nos encarrapicharmos às cavalitas de alguém, dependendo da extensão da fila onde nos encontramos, poderemos percepcionar um pouco melhor a referida distância.
Mas; imaginemos que nos encontramos numa cidade e que a fila onde nos encontramos se estende ao longo de várias artérias, que viram à esquerda e à direita...
Então, para podermos ter a tal percepção, precisaríamos de um ponto de observação mais elevado, que os costados do parceiro da frente. Talvez de um terraço de um edifício, ou do alto de uma torre, a nossa visão pudesse abarcar toda a extensão da fila em que nos encontramos.
Mas; imaginemos que a fila onde nos encontramos, se prolonga por diversos países e continentes...
Então, seria necessário dispormos de um ponto de observação tão alto e tão distante, que nos permitisse abarcar toda a extensão dessa fila.
No entanto, o facto de conhecermos a verdadeira distância que separa o ponto que ocupamos na fila, do ponto que pretendemos atingir, não nos permite alterar a distância, nem o tempo que demoraremos a atingi-lo.
;))
Ou seja; se nos encontrarmos num determinado ponto de uma fila de gente, com a finalidade de chegarmos a outro ponto, que poderá ser a bilheteira de um teatro, por exemplo; difícilmente teremos a percepção da distância a que nos encontramos desse ponto, ou, e, do número de pessoas que se encontram entre nós e o ponto que desejamos atingir.
Contudo, se tivermos a possibilidade de nos encarrapicharmos às cavalitas de alguém, dependendo da extensão da fila onde nos encontramos, poderemos percepcionar um pouco melhor a referida distância.
Mas; imaginemos que nos encontramos numa cidade e que a fila onde nos encontramos se estende ao longo de várias artérias, que viram à esquerda e à direita...
Então, para podermos ter a tal percepção, precisaríamos de um ponto de observação mais elevado, que os costados do parceiro da frente. Talvez de um terraço de um edifício, ou do alto de uma torre, a nossa visão pudesse abarcar toda a extensão da fila em que nos encontramos.
Mas; imaginemos que a fila onde nos encontramos, se prolonga por diversos países e continentes...
Então, seria necessário dispormos de um ponto de observação tão alto e tão distante, que nos permitisse abarcar toda a extensão dessa fila.
No entanto, o facto de conhecermos a verdadeira distância que separa o ponto que ocupamos na fila, do ponto que pretendemos atingir, não nos permite alterar a distância, nem o tempo que demoraremos a atingi-lo.
;))
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