
Ouve-se, o silêncio?
Sim! E a distância também.
A ausência dos ruídos comuns, aqueles que nos habituámos no dia-a-dia a escutar, é uma sensação estranha. Quando sucede encontrar-nos num local e, subitamente percebermos que não existe qualquer ruído em nosso redor, somos instintivamente compelidos a prestar maior atenção ás formas físicas que a nossa visão alcança.
O local onde a foto deste post foi obtida, situa-se na Serra do Açor. Um local elevado, de onde se avistam em toda a volta, pequenas povoações e serras... serras após outras serras, dando-nos a ilusão que o mundo é uma sequência infindável de serras, montes que se perdem, horizonte fora, até ao fim do mundo.
Passei neste local, cerca de 45 minutos, sem que passasse um único automóvel, se passasse 45 horas, 45 dias, 45 anos, 45 séculos, talvez o tempo não fosse outro que aquele que demorou 45 minutos.
A ausência de ruído, após os primeiros instantes de surpreza e de "ajuste" do nosso sensorial ao silêncio, conduz-nos ao relaxe, ao esvaziamento e abre a porta que nos transporta até ao auto-conhecimento, ao entendimento do que somos, de que somos e do que desejamos ser.