quarta-feira, 17 de novembro de 2010

O Ser eo Tempo


Fundem-se o tempo e o ser,

Numa corrida parada.

Pensando o ser que, a correr

Chega mais depressa do nada.


Encerra-se o ser, no tempo

Na angústia desesperada

Numa ilusão, sem tento

De uma existência esgotada


Deseja o ser, outro tempo

Movido pela vontade sonhada

Mas vai guardando o alento

De uma fuga adiada

sábado, 13 de novembro de 2010

Quark


Eu, sou um átomo...

Para todos e cada um que olho,

Vejo um átomo, vejo átomos.

Vejo grupos de átomos,

Famílias de átomos, classes de átomos.

É certo que cada uma destas famílias,

Classes...

Formam no seu conjunto,

Partículas elementares,

As quais... constituem, outros átomos.

Resumindo;

Eu, não sou um átomo...

Todos os que me rodeiam, não são átomos!

Somos partículas fundamentais...

Construímos todas as outras partículas

E não somos compostas de partículas menores!

Mas...

Para o universo, somos quarks.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

O Eu da Alma


Sentado na poltrona da sala,
Observo o mundo lá fora.
Ao fundo, os três moinhos.
Em volta, o vento não se cala,
E leva-me na mesma hora,
Pelo mundo e seus caminhos.

Serpenteia o rio, lá ao fundo,
Verdejam os montes em redor.
A gente, lá vai na sua lida,
Espalhada, ocupando o mundo,
Cultivando a terra com amor.
Cada um, cumprindo a sua vida.

O sol, já aquece a terra húmida,
Rega do orvalho da madrugada.
Exalta os sentidos, as vontades.
Solta dos seres, a energia contida.
Faz trinar os cantos da passarada.
Anima os corpos, lava-os de maldades.

Aqui, da poltrona da minha sala,
Olho as nuvens que correm pelo céu.
Olho o espaço infinito, o horizonte.
Escuto o vento à volta, que não se cala.
Aqui, no alto deste monte…
Penso, se a minha alma tem um Eu.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Dizem que a vida é feita de choro e de riso...


No alto d'esta escarpa
avisto o mundo redondo
De ali nada me escapa
Desde o belo ao ediondo

Da beleza natural quando é dia
Ao setestrelo quando à noite
Me prendem a ti estes rochedos
Às memórias de uma antologia
Guardada desde a bela Afrodite
Entre sonhos de homem e tantos medos

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Silêncio...!



Ouve-se, o silêncio?
Sim! E a distância também.
A ausência dos ruídos comuns, aqueles que nos habituámos no dia-a-dia a escutar, é uma sensação estranha. Quando sucede encontrar-nos num local e, subitamente percebermos que não existe qualquer ruído em nosso redor, somos instintivamente compelidos a prestar maior atenção ás formas físicas que a nossa visão alcança.
O local onde a foto deste post foi obtida, situa-se na Serra do Açor. Um local elevado, de onde se avistam em toda a volta, pequenas povoações e serras... serras após outras serras, dando-nos a ilusão que o mundo é uma sequência infindável de serras, montes que se perdem, horizonte fora, até ao fim do mundo.
Passei neste local, cerca de 45 minutos, sem que passasse um único automóvel, se passasse 45 horas, 45 dias, 45 anos, 45 séculos, talvez o tempo não fosse outro que aquele que demorou 45 minutos.
A ausência de ruído, após os primeiros instantes de surpreza e de "ajuste" do nosso sensorial ao silêncio, conduz-nos ao relaxe, ao esvaziamento e abre a porta que nos transporta até ao auto-conhecimento, ao entendimento do que somos, de que somos e do que desejamos ser.

domingo, 5 de setembro de 2010

Uma Porta para o Paraíso



«Só o Amor, dá Sentido à Vida»
Esta, é uma frase de Dalai Lama.
O Senhor Presidente da nossa República, apelou este ano aos seus concidadãos, que fizessem férias dentro do país.
Tenho a opinião de que Aníbal Cavaco Silva, fala de menos acerca daquilo que diz respeito aos assuntos importantes da política e da sociedade, ou que fala menos do que esperaríamos. Relativamente a este apelo, considero que disse o essencial. E o essencial é reconhecer a beleza aprazível de imensos locais do nosso país, desfrutando deles. E... só é possível reconhecer a beleza, se o amor habitar os nossos sentimentos.
As fotos foram obtidas na praia fluvial de Fragas de São Simão um lugar mágico, onde é impossível não descobrirmos o amor que dá sentido à vida!

sábado, 4 de setembro de 2010

Porque parámos de querer?




Mahatma Gandhi, teve o seguinte pensamento: «Esquecermo-nos de como cavar a terra e de como cuidar do solo é esquecermo-nos de nós próprios»
Casal de São Simão, é o nome da aldeia que se vê na imagem. Pertence ao concelho de Figueiró dos Vinhos e estende-se pela crista de uma elevação, de um lado e de outro da única rua existente.
As casas, são construídas em Xisto e encontram-se na quase totalidade, restauradas, adaptadas interirormente às "necessidades" modernas e exteriormente, respeitando ao máximo a arquitectura tradicional, empregando materiais naturais.
A origem desta povoação, perde-se nas brumas dos tempos, contudo, sabe-se que os seus habitantes, aqueles que a construiram, trabalhavam árduamente a terra, retirando dela o seu sustento.
Casal de S. Simão, encontra-se entre duas ribeiras, do Fato e de Alge. Do lado da Ribeira do Fato, existe o Vale da Abundância, onde diáriamente, com a ajuda de bois e de burros, homens e mulheres, semeavam e colhiam o seu sustento. Ao longo da Ribeira de Alge, existem ainda, ruínas e velhos moínhos, onde era moído o cerreal, que depois de transformado em farinha, dava origem ao pão que era cozido nos fornos de lenha do Casal. A par com a criação de animais domésticos, a pesca de que as duas ribeiras eram fartas, proporcionávam aos habitantes do Casal de São Simão, duas fontes excelentes de provimento alimentar.
Contudo, chegou a era em que estes habitantes, cansados do trabalho árduo do cultivo da terra, começaram a deslocar-se para as cidades, em busca de "melhor vida".
Hoje, a autarquia, requalificou toda esta área, concorrendo a fundos comunitários para restaurar as habitações e construíndo praias fluviais, acessos e infra-estruturas de apoio às mesmas, visando o retorno e a fixação de populações.
Por enquanto, existe um núcleo de habitantes que ocupa as casas em épocas de férias, não residindo efectivamente nelas, mas mantendo-as, dando alguma vida à aldeia que se encontrava "morta".
Será que um dia irão redescobrir o prazer de cavar a terra, tratar o solo e retirar dele o seu sustento?