sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Poema com rima...

Solidariedade:

Solidariedade, rima com verdade:
A verdade que a transparência dos teus olhos reflecte, quando me mostra o mais profundo da tua alma.
A verdade que me faz acreditar na pureza de algo indefinível, mas que sei, brota do mais íntimo do nosso ser.

Solidariedade, rima com tranquilidade:
A tranquilidade que a tua mão me oferece quando segura a minha, e me dá a confiança necessária para enfrentar e vencer as dificuldades que ao longo da vida, vão surgindo.
A tranquilidade que a tua palavra de apoio e aconselhadora, me oferece, quando me encontro indeciso, duvidando muitas vezes se serei capaz, e tu me afirmas que sim.

Solidariedade, rima com amizade:
A amizade que nasce e se reforça, que cresce e adquire a dimensão e a força de uma montanha.
A amizade que resiste ao tempo e à acção dos elementos mais agrestes e destrutivos, mantendo-se sempre pura e luminosa.
A amizade que me ajuda a sorrir nos momentos menos felizes.
A amizade que não me deixa desanimar quando os desafios parecem grandes demais para o meu tamanho.

Solidariedade, rima com fraternidade:
A fraternidade que nos une e nos iguala.
A fraternidade que destrói diferenças e nos eleva, nos permite sair da mediocridade e nos impregna dos sonhos que nos permitem desejar construir o futuro.
A fraternidade que nos ensina a conhecer a verdadeira dimensão do ser humano e nos dá asas suficientemente fortes, capazes de nos sustentar durante o voo que devemos cumprir, e nos leva a atravessar oceanos de esperança.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Travessia

Na feira-livre do capaz
Correm pregões e pragas,
ralhos encrespados, pelo ar
“Vende-se menina e rapaz”
Para encher de gente as praças
E pôr este país, de novo a andar

Na feira-livre da insensatez
Acotovelam-se o brado, o fado,
o frio, o fogo e a paixão
Esmorece o desejo, da prenhez
de um colectivo meio atordoado
Que andrajos, arrasta pelo chão

Na feira-livre da esperança
Cerram-se dentes, sobem-se mangas
Lavra-se a terra, fazem-se filhos
Sustem-se de todos a temperança
Talham-se vestes, rasgam-se as tangas
Abrem-se de novo, futuros trilhos

Na feira-livre da verdade…
Olham-se os olhos com amor
Oferecem-se carinho e bondade
Dão-se as mãos da liberdade
Enfrenta-se o futuro, sem temor

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

E...

Ao fundo deste caminho está o mar
Já o oiço daqui, forte a ribombar
Noto-lhe o cheiro, solto pelo ar
Vejo nele, os reflexos de sol a faíscar

Ao fundo desse mar, vejo o horizonte
Atrás de mim ergue-se alto, esse monte
Onde nasce o fio cristalino d'esta fonte
De onde vim? dessa casa ali defronte

E...

Quedo-me, imóvel, apático num desespero
Aguardo em silêncio, torno-me áspero
Condenando o eu que vitupero
Enquanto do infinito te espero

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

E dançámos...


Ouvi-a chamar, saí.
Lá estava, altíssima, brilhante, envolta por véus transparentes que deixavam adivinhar-lhe os contornos do corpo.
Ao ver-me riu-se e de imediato deu início a uma dança de enfeitiçar, escondendo-se e revelando-se, fingindo que não me via observa-la.
De cá, gritei-lhe.
Desce, vem dançar comigo!
Riu-se mais ainda, rodopiou e num gesto largo, respondeu-me.
Vem, sobe até mim e vem dançar.
Fechei os olhos e senti elevar-me no espaço, leve, rápido, nu... e dançámos.

domingo, 4 de outubro de 2009

Lá, no infinito

Olho através das janelas da tua alma e descubro o caminho para o paraíso.
Inalo o aroma que se solta dos teus cabelos e invento a chegada da Primavera.
Percorres-me a pele com a suavidade dos teus dedos e sinto o arrepio da paixão.
Invento-te e inventas-me a cada instante, reconheço a grandez a da Criação no explendor de cada beijo teu.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Do Paradoxo...

Da acção à inacção
Do parar e observar,
ao movimento do olhar
Vai um ápice, uma fracção
Vão dois tempos enovelados
que nos fogem à percepção,
nos arrebatam e castigam
Nos agridem e nos afagam
Como o som de uma canção,
ou, um segredo irrevelado!

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Da Lua... À Lua!


(ampliem a imágem até à exaustão)
Hoje, ao saír de casa ainda cedo, notei a sua presença.
Pairava la no alto, magnífica, brilhante, guardiã de segredos e feitiços, senhora plena de destinos, reguladora constante de marés.
Saí sem vontade de sair, sem vontade de abandonar a largueza do espaço e vir mergulhar no campo dos que arrastam a vontade, dos que contrariam o desejo, dos que amarrotam o sonho e se entregam contrariados à função de esgravatar, arranhando com os dedos descarnados o lixo social acumulado e guardado ao longo de gerações que fazem desse lixo a sua fantasiosa subsistência.
Se sou teu prisioneiro, disse-lhe. Serás minha também.
E... click!
Aqui está ela... é minha!