Na feira-livre do capaz
Correm pregões e pragas,
ralhos encrespados, pelo ar
“Vende-se menina e rapaz”
Para encher de gente as praças
E pôr este país, de novo a andar
Na feira-livre da insensatez
Acotovelam-se o brado, o fado,
o frio, o fogo e a paixão
Esmorece o desejo, da prenhez
de um colectivo meio atordoado
Que andrajos, arrasta pelo chão
Na feira-livre da esperança
Cerram-se dentes, sobem-se mangas
Lavra-se a terra, fazem-se filhos
Sustem-se de todos a temperança
Talham-se vestes, rasgam-se as tangas
Abrem-se de novo, futuros trilhos
Na feira-livre da verdade…
Olham-se os olhos com amor
Oferecem-se carinho e bondade
Dão-se as mãos da liberdade
Enfrenta-se o futuro, sem temor
quinta-feira, 15 de outubro de 2009
quinta-feira, 8 de outubro de 2009
E...
Ao fundo deste caminho está o mar
Já o oiço daqui, forte a ribombar
Noto-lhe o cheiro, solto pelo ar
Vejo nele, os reflexos de sol a faíscar
Ao fundo desse mar, vejo o horizonte
Atrás de mim ergue-se alto, esse monte
Onde nasce o fio cristalino d'esta fonte
De onde vim? dessa casa ali defronte
E...
Quedo-me, imóvel, apático num desespero
Aguardo em silêncio, torno-me áspero
Condenando o eu que vitupero
Enquanto do infinito te espero
Já o oiço daqui, forte a ribombar
Noto-lhe o cheiro, solto pelo ar
Vejo nele, os reflexos de sol a faíscar
Ao fundo desse mar, vejo o horizonte
Atrás de mim ergue-se alto, esse monte
Onde nasce o fio cristalino d'esta fonte
De onde vim? dessa casa ali defronte
E...
Quedo-me, imóvel, apático num desespero
Aguardo em silêncio, torno-me áspero
Condenando o eu que vitupero
Enquanto do infinito te espero
segunda-feira, 5 de outubro de 2009
E dançámos...

Ouvi-a chamar, saí.
Lá estava, altíssima, brilhante, envolta por véus transparentes que deixavam adivinhar-lhe os contornos do corpo.
Ao ver-me riu-se e de imediato deu início a uma dança de enfeitiçar, escondendo-se e revelando-se, fingindo que não me via observa-la.
De cá, gritei-lhe.
Desce, vem dançar comigo!
Riu-se mais ainda, rodopiou e num gesto largo, respondeu-me.
Vem, sobe até mim e vem dançar.
Fechei os olhos e senti elevar-me no espaço, leve, rápido, nu... e dançámos.
domingo, 4 de outubro de 2009
Lá, no infinito
Olho através das janelas da tua alma e descubro o caminho para o paraíso.
Inalo o aroma que se solta dos teus cabelos e invento a chegada da Primavera.
Percorres-me a pele com a suavidade dos teus dedos e sinto o arrepio da paixão.
Invento-te e inventas-me a cada instante, reconheço a grandez a da Criação no explendor de cada beijo teu.
Inalo o aroma que se solta dos teus cabelos e invento a chegada da Primavera.
Percorres-me a pele com a suavidade dos teus dedos e sinto o arrepio da paixão.
Invento-te e inventas-me a cada instante, reconheço a grandez a da Criação no explendor de cada beijo teu.
quinta-feira, 24 de setembro de 2009
Do Paradoxo...
Da acção à inacção
Do parar e observar,
ao movimento do olhar
Vai um ápice, uma fracção
Vão dois tempos enovelados
que nos fogem à percepção,
nos arrebatam e castigam
Nos agridem e nos afagam
Como o som de uma canção,
ou, um segredo irrevelado!
Do parar e observar,
ao movimento do olhar
Vai um ápice, uma fracção
Vão dois tempos enovelados
que nos fogem à percepção,
nos arrebatam e castigam
Nos agridem e nos afagam
Como o som de uma canção,
ou, um segredo irrevelado!
segunda-feira, 10 de agosto de 2009
Da Lua... À Lua!

(ampliem a imágem até à exaustão)
Hoje, ao saír de casa ainda cedo, notei a sua presença.
Pairava la no alto, magnífica, brilhante, guardiã de segredos e feitiços, senhora plena de destinos, reguladora constante de marés.
Saí sem vontade de sair, sem vontade de abandonar a largueza do espaço e vir mergulhar no campo dos que arrastam a vontade, dos que contrariam o desejo, dos que amarrotam o sonho e se entregam contrariados à função de esgravatar, arranhando com os dedos descarnados o lixo social acumulado e guardado ao longo de gerações que fazem desse lixo a sua fantasiosa subsistência.
Se sou teu prisioneiro, disse-lhe. Serás minha também.
E... click!
Aqui está ela... é minha!
quarta-feira, 5 de agosto de 2009
A Grande Selvagem
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