domingo, 20 de julho de 2008

As férias acabaram (para já)

É verdade. Acabaram hoje. Amanhã, retomo a labuta diária e consequentemente os horários e os rituais pré-programados.
Este ano decidi gozar os dias de férias de uma assentada, sem contudo programar préviamente o que ira fazer durante todo o tempo.
Comecei por tentar dormir mais um pouco para além da hora habitual de me levantar, foi contudo um esforço que não resultou, ao segundo dia desisti deste intento. Depois pensei se iria uns dias à praia, não, ha outras coisas melhores para fazer do que esticar o corpinho ao sol, suar as estopinhas e dar mergulhos forçados, para tentar enganar o calor que sobrevem imediatamente a sair-se do molho, isto sem contar com as filas de trânsito e as dificuldades para estacionar.
Ao quarto dia, decidi como já fiz em outras ocasiões, zarpar sem rumo definido, ou seja, sempre para norte. É deste modo, meus amigos, que ainda consigo encontrar e saborear o verdadeiro sentido de liberdade.
Percorri as serras do parque natural do gerêz, do soajo e do lindoso, embriaguei-me de verde, de amplitude e de silêncio. Dormi em camas estranhas mas acolhedoras, em quartos de residênciais, saboreei os paladares de comidas genuínas em restaurantes de estrada, muitos deles só encontrados por indicação dos naturais do local. O único devaneio enquanto permaneci no país, foi um almoço de marisco regado por um fabuloso verde da região no "pedra alta", perto de Viana. Conheci gente, muita gente, conheci algumas das suas preocupações e necessidades, conheci a força de vontade daquela gente que nas serranias ainda tira da terra, à força de braço, o sustento que os mantem.
Depois saltei para espanha. Santiago de Compostela, visitei o santo caminhante. Decorriam festejos e uma feira medieval. Tendas de comes e bebes, artesanato, produtos naturais e, no ar, aquela sensação que não se consegue definir, resultante da permissão de partilha entre o religioso e o profano. Evidente em diferentes contextos a cultura celta que os galegos zelosamente mantêm, do mesmo modo que fazem com os monumentos.
Depois, percorri toda a orla marítima, detendo-me nas esplanadas das praias, todas elas limpas, de fácil estacionamento, e com um ambiente calmo.
Quando voltei a saltar cá para o rectângulo, fiz uma directa até à Inbícta, onde me assaltou uma buntade imensa de "comer" uma fráncezinha. E lá fui até ao kapas.
No Puorto, não vou em tangas de ficar nas residênciais, isséquera, nem pensar. Fiquei uma noite no Batalha e na noite seguinte dei o salto para Gaia. A propósito... sabíeis que na cultura ameríndia, Gaia é o nome da deusa-Mãe, ou deusa-Terra? Ah pezé...
Bom, mas andava aqui o cromo a vagabundear pelo cais de Gaia e quando olhou para os barquinhos de passeio, lembrou-se assim de repentinha... e seu embarcasse?
Entrei num barzinho para beber qualquer coisa e deparo-me com uma mocinha atrás do balcão. De resto, mais ninguem, absoluto deserto. Pergunto: vai fechar?
Com um sorriso aberto, como acho que só no nuorte se consegue encontrar, respondeu-me. - Ainda nãoe, só de madrugada.
Sentei-me, pedi uma bebida e tagarelei com a simpatia da moça.
Até que me voltei a lembrar do passeio de barco e tirei com a mocinha, nabos da púcara. Explicou-me tudo. Que havia vários itinerários, barcos maiores e mais pequenos, passeios mais curtos e mais longos, mas que na opinõe dela, qualquer um valia a pena.
-A sua descrição conquistou-me, devia ter-me lembrado de fazer uma reserva.
-Talvez não seja preciso, esteja aqui no cais amanhã pelas 8horas e fale com a senhora da agência que vai lá estar, se não tiverem os lugares esgotados, pode embarcar e fazer o passeio.
E assim foi, no dia seguinte lá estava o "je" a fazer olhinhos à menina, convencido que iria ter de empregar a técnica do charme para conseguir o lugarzinho, a verdade porem é que a lotação estava pelo metade e sobravam muitos lugares. O barcucho era o "Douro Azul". Na cave, encontravam-se as instalações sanitárias, no rés do chão (ou seria da água?) o salão de refeições, para onde me convidaram a entrar de imediato e a tomar um petit dejeuner, que... foi mesmo muito petit. Adiante... No primeiro andar, encontrava-se o terraço, onde actuava a banda que acompanha o programa televisivo do Gôxa, o Praça da Alegria e de onde, durante todo o passeio, se admira a extraordinária paisagem das margens do Douro. Tocavam o tema velhinho da série "Barco do Amor". Fui até ao Peso da Régua e voltei ao Puorto, estaçõe de São Bento, de cumboio. Foi giro!

terça-feira, 24 de junho de 2008

Um castelo em claras

Ora bem... como a minha amiga Minucha me pede mais e a minha amiga Fausta me pede que arrebite, vou tentar satisfazer-lhes as vontades!?

Construí um castelo com claras
Claras, não. Brancas, eram brancas
Brancas pedras que arranquei
Com estas mãos da terra escavada
Ergui-o pedra-a-pedra com amor
Todo o trabalho foi feito com amor
Coloquei-lhe varandas e janelas de sacada
Voltei este castelo para sul, para o mar
Para ver chegar as aves na primavera
Nascia o sol com que despertáva à minha esquerda
Poisava no horizonte ao fim do dia, na direita
E perdia-se-me o olhar nesse horizonte
Renovava-se uma esperança a nascente
Adiava-se um futuro a poente
O presente indefinível permanecia nesse castelo
Todo construído de claras... claras não! Brancas!

quarta-feira, 4 de junho de 2008

E S'Eu Fosse Um Pássaro?

Ah se eu fosse aquele pássaro além
Dono dos céus, senhor das brisas
Se o meu canto, encantasse alguem
Atravessando mágico, essas brumas lisas

Ah se o meu canto fosse ouvido
Se te tocasse o coração solitário
E se, como asa, batendo sem sentido
Encontrando-te, me acalmasse o desvario

Ah se eu fosse aquele pássaro além
Aquele que esvoaça de ramo em ramo
Buscando uns braços que o embalem
Como eu busco os lábios de quem amo

Ah se a brisa me levasse para longe
Se vendavais arrancassem estas penas
Se me transformasse numa ave-monge
Deixaria de dormir pelas empenas

terça-feira, 3 de junho de 2008

Adeus meu amor!!

Rasgo a pele, querendo arrancar as marcas profundas que em mim deixaste.

Mas persiste em mim o teu perfume, não me sai dos lábios o doce dos teus beijos.

Não morre no meu peito, no meu ventre, no meu sexo, o desejo de ti.

Não se apaga a memória do som dos teus gemidos.

Ecoam ainda vibrantes nesta casa as palavras com que te despediste.

Adeus meu amor!!

domingo, 18 de maio de 2008

Naturalmente!!??

Salvador Dali, disse um dia: Entre a Natureza e mim está em curso uma grande batalha, porque eu tenho de melhorar a Natureza. Eu diria que o objectivo de controlar e "melhorar" a Natureza, tem sido a "pedra filosofal" da maioria dos cientistas. Todos aqueles que até aos nossos dias desenvolveram fórmulas que conduziram à descoberta processos tecnológicos, visaram com isso tornar a vida humana mais prática, mais veloz, mais confortável, em suma, num processo natural, tentaram modificar a Natureza no seu rumo original.
Pensemos: Se acontecesse um súbito cataclísmo universal, manter-se-íam para além dele esses conhecimentos e essas descobertas, ou seria novamente a lei da Natureza a comandar os destinos do Homem?
;))

sexta-feira, 16 de maio de 2008

O Tempo!

Hoje, apetece-me filosofar um pouco...
O Tempo!
De entre tudo aquilo que consideramos natural, o tempo é inegávelmente, aquilo que, sendo abstracto, compõe, condiciona, ou regula, todos os momentos da nossa vida.
Momentos!
Espaços, mais ou menos curtos, que por indefiníveis razões, ou motivos, dividem o tempo e tornam-no memorável.
O tempo é atribuído de modo igual, mas, partilhado de maneiras diferentes e aproveitado, usado, ou gasto de infinitas formas, mesmo que, de forma nenhuma.
O tempo!
Alquímia da existência, sequência de hiatos, preenchidos pela presença dos sentidos.
Reformulemos então a expressão "Penso, logo... existo" digamos que... Se recordo o tempo, então...conheço os momentos, assim sendo, a nova expressão passa a ser: " Conheço, logo... sou tempo"
;)))))

quarta-feira, 14 de maio de 2008

O Mar De Novo - De Novo O Mar!

Pousam-me os olhos, sobre
Esse mar sereno
Enche-se o mundo, pobre
De desejo pleno

Completa-se o sonho, quieto
Nesse horizonte eterno
Astro pungente, amuleto
Planeta etereo, corpo morno

Pousam-me os olhos sobre esse mar
Exalta-se em mim o desejo
A vontade imensa de te amar
De afogar todo este amor num só beijo