domingo, 20 de abril de 2008

Ora favas... grãos...favas... grãos...

Este ano, os sacanas dos coelhos roeram-me as favas todas e, se digo todas, acreditem que não exagero. Todas as vagens têm um grão roído, aquele que está voltado para baixo. Porem, não esta tudo perdido, é! Como devem saber, cada vagem, produz em media, 4 grãos, ou 4 favas se preferirem, o que matemáticamente se traduz do seguinte modo: 4x25 = 100, quer dizer então que às 25 vagens correspondem 100 grãos, ou favas, como desejarem. Ora, se a coelhada "mamou" um grão em cada vagem, quer dizer que às 25 vagens, ficam a faltar 25 grãos, ou seja, em 100 grãos que deveriam produzir as 25 vagens, faltam 25 favas, ou grãos, o que nos leva a avaliar o prejuízo da colheita em 25%. Estas contas estariam certíssimas se um outro factor não fosse tomado em linha de conta. O factor de que falo, tem a ver com a sustentação e equilíbrio das espécies. Antes de eu decidir morar no campo, já existiam coelhos e, desconfio muito que, depois de eu passar a "morar" sob o campo, irão continuar a existir coelhos, uma vez que os danados, se alimentam tambem das favinhas que eu semeio, devo concluir que: para que este equilíbrio perdure, é necessário que faça sempre conta com os coelhos, quando semeio as favinhas. Dirme-ão... ouve lá, óh chouriço... e porque é que não montas umas armadilhas e apanhas uns coelhos?
A verdade, meus queridos e queridas, é que eu prefiro vê-los aos pulinhos em frente à minha janela, enquanto tomo o meu pequeno almoço refastelado à mesa da cozinha. São giríssimos, dão umas corridas completamente alienadas, param, levantam as patitas da frente e coçam-se, olham para todos os lados com as orelhitas espetadas, roem uma erva, ou uma fava, ou uma folha de cove, voltam a dar outra corrida, desaparecem, voltam a aparecer, é uma brincadeira pegada.
Portanto, é razoável que lhes pague estes números acrobáticos, semeando umas favitas a contar com eles... é justo!!!
;))))

terça-feira, 1 de abril de 2008

Hoje estou muito feliz!

Hoje sinto que a felicidade invadiu todo o meu ser.
Hoje, vi-te as cuecas. Brancas, salpicadas de minúsculas flores encarnadas, finas rendas brancas debruavam as costuras sobre os elásticos que as mantêm justas às pernas e à cintura.
Eu subia, tu descias a escada do lar, apesar de lento e agarrado à bengala que me ajuda amanter o equilíbrio, consegui notar a tua apróximação e levantei o olhar na tua direcção.
Foi fugaz a visão das tuas cuecas, o teu passo sempre apressado não permitiu que as admirasse com o vagar que desejava.
Juro, não vi mais que as tuas cuecas, juro. Não posso dizer se as tuas pernas, que imagino divinalmente torneadas, quentes, lá estavam também. Não posso jurar se levavas posta a bata da farda que já confirmei noutras alturas, gostas de usar semi-desabotoada e que perante o meu olhar te faz parecer menina da escola.
Ha uma diferença muito grande de idades entre nós, mas a verdade é que, ou a tua juventude, ou a minha velhice, fazem-me desejar-te com muito ardor.
Recordas-me os anos de vigor e de conquistas já passados ha muito, ver-te faz-me imaginar ainda capaz de satisfazer uma mulher como tu, mas calo-me, não te faço saber o que penso e o que sinto, a sociedade recriminaria o meu acto se o fizesse e decerto seria expulso deste lar.
Hoje estou muito feliz!
Hoje, vi-te as cuecas. Brancas, salpicadas de minúsculas flores encarnadas!!!

Pelo Espaço

Um cósmico vibrar, uma cósmica voz
tocam-me os sentidos, as emoções
Sons, melodias trazidos pelo vento veloz
envolvem-me em mágicos voos, atracções

Ganho asas, ganho distâncias e espaços
Alturas desmedidas no universo
Para te ter rendida nos meus braços
Enquanto risco pelos céus este meu verso

E por fim me entregar em teus abraços
Me perder, encontrar-me nos teus beijos
Sentir-me preso no teu corpo, em enlaços
Sentir que se saciaram nossos desejos

segunda-feira, 31 de março de 2008

Faz-me... Faz-te

Faz-me sorrir, a luz que reflete o teu rosto, faz-me sentir feliz.
Faz-me amar, a melodia das tuas palavras, faz-me entender o mundo.
Faz-me sentir aconchegado, o calor do teu corpo, faz-me voar desvairado.
Faz-me sonhar, a doçura do teu beijo, faz-me querer-te mais.
Faz-me sentir humano, a amplitude do teu gesto, faz-me saber a imensidão.
Faz-te presente, a distância, faz-me conhecer a solidão.

sexta-feira, 28 de março de 2008

Todas & Todos

Todas as palavras que não foram decididas, estão ainda prontas para ser inventadas.
A todos os gestos e os olhares que viajam, foi-lhes aberta no espaço, uma rota de chegada.
A todos os anseios e suspiros já expirados, dar-lhes-hão novos prazos validados.
A todas as marcas e sinais no chão gravados, acederá novo homem, por saber.
Todas as coisas girararão perpetuadas nas suas existências.

quinta-feira, 27 de março de 2008

Coisas & Loisas

http://www.youtube.com/watch?v=ziThYl6B2vw

Hoje, aqui sentado sobre esta pedra, reflicto e questiono;
O que é verdadeiramente importante?
Ha algo que seja verdadeiramente importante?
E se não atribuir importância a alguma coisa? Essa coisa, perde a importância?
Então... a importância das coisas está dependente do meu critério de as valorizar?
Provavelmente, só as coisas que me estão atribuidas, aquelas que eu possuo.
Eu possuo coisas?
Porque as posso destruir, ou porque as criei?
Se as criei, como as criei?
A partir de coisas já criadas, de matérias que já existiam?
Então... a minha acção, a minha criação, consistiu em juntá-las... criando algo a partir daquilo que já estava criado, por isso, aquilo que criei, passa a ser importante, porque criei essa coisa.
Oh, que coisa...

Montes & Montes, Ldª.

(Atenção ao volume do som)

http://www.youtube.com/watch?v=6UztEfwHt14&feature=related
http://www.youtube.com/watch?v=_swFHp-0_sY&feature=related


Para lá desses montes, existes tu,
sempre tão ausente e distante.
Para cá, ficam-me os sonhos,
os desejos de te ter.
Para lá desses montes,
deita-se o sol.
Beijando o teu corpo,
tão dourado.
Para cá, reside a insónia,
a espera pelo instante desejado.