sábado, 26 de janeiro de 2008

Ora intão bamos lá dar uma... galopada!!!

Senti de novo o poder da presença de Amélia e a majestosidade da sua figura, senti que ambos exerciam domínio sobre a minha vontade. Consegui dominar durante alguns momentos o impulso quase irresistível de me aproximar de si, de a beijar e de lhe dizer que sim, que queria ficar para sempre junto dela. Durante o tempo que aguardei silenciosamente, admirei Amélia. Envergava um fato de amazona, em veludo negro, debroado a cetim negro tambem. A saia-calça era comprida, de cintura subida, a jaqueta, curta e justa, abtoava com dois botões de prata, presa no lado esquerdo da jaqueta, cintilava uma discreta rosa constituída por pequenos diamantes.
O conjunto, conferia à sua figura uma elegância suprema e uma sensualidade que tornavam Amélia ainda mais irresistível.
Resolutamente, aproximei-me de Amélia e segurando-lhe na mão, declarei. - Estou ansioso por esse passeio na tua companhia.
Dirigimo-nos de mãos-dadas para o vestíbulo de entrada onde Jarbas nos aguardava segurando uma capa em veludo brick que colocou sobre os ombros de Amélia.
Saímos a porta do palacete e no largo onde dias antes havia estacionado o meu carro, encontrava-se um jovem que não conhecia ainda. Este jovem, segurava pela redea, numa das mãos, um bem composto cavalo branco de raça lusitana, enorme, calmo, majestoso, na outra mão, uma fugosa e inquieta égua branca tambem, ambos de longas crinas e de pelo reluzente.
Era de noite, de Este, elevava-se nos céus uma lua enorme, que projectava sobre nós toda a magia da sua luz prateada. Amélia dirigiu-se para a égua, enquanto saudava o moço que segurava os dois animais, apresentando-me e apresentando-o, o seu nome é Miguel, nasceu na propriedade e é ele que trata dos nossos cavalos. Segui Amélia e ajudei-a a montar. Logo que Amélia se instalou na sela, a égua instantâneamente, ficou parada e colocando a cabeça primorosamente, aguardou serenamente que Amélia lhe desse sinal para iniciar a marcha.
Em seguida dirigi-me ao outro animal e, colocando o pé no estribo impulsionei-me para sobre ele.
Amélia deu então ordem de marcha à sua égua e entrámos a passo por uma vereda que contornava o palacete pelo lado Oeste. Em seguida, atingimos uma zona arenosa de pinhal e então Amélia deu ordem de trote à sua égua e um pouco mais`adiante, de galope. Bastou que encostasse os calcanhares das botas à barriga do meu cavalo, para que imediatamente ele entrasse também num galope suave, mas pujante e harmonioso, segui Amélia que corria sem parecer importar-se se a seguia.

Bartolomeu, já te lixaste

Depois de colocar a indumentária que tinha sido escolhida para mim, olhei-me no enorme espelho colocado ao canto do quarto, do lado da janela.
Aquelas roupas davam-me um certo ar cómico, nunca me tinha visto enfiado dentro de semelhante trajo. Olhei para Jarbas, que se mantinha espectante a um lado e perguntei-lhe - Qual é a tua opinião Jarbas, parece-te que com este fato vou impressionar o cavalo?
Parece-me muitíssimo bem excelência, respondeu-me Jarbas.
Coloquei-me em frente ao mordomo, cruzei os braços, olhei-o de frente e com um tom de voz decidido disse-lhe: Ouve uma coisa Jarbas, vamos acabar de vez com toda esta palhaçada a que não estou a achar a mínima graça. Dizes-me se faz favor onde estou, quem são estas pessoas, o que estou aqui a fazer e... por favor, para com essa treta de me tratares por excelência. Ok?
Mantendo o olhar fixo no meu, Jarbas respondeu - V. Exª está na residência da Excelsa Senhora Marquesa D. Amélia e é convidado de honra da Senhora Marquesa.
Foda-se Jarbas... já me estás a tirar do sério, não consegues ser mais claro e explícito?
Sem me responder, Jarbas dirigiu-se à porta do quarto, abrindo-a e anunciando - A Senhora D. Amélia aguarda Vossa Excelência na sala da biblioteca.
Eu ainda me passo caráças, ai passo, passo, já estou a perder a paciência com esta merda toda, vamos lá ter com a marquesa, que eu quero pôr isto tudo em pratos limpos.
Jarbas conduziu-me de novo por diferentes corredores, até chegarmos em frente a uma enorme porta que jarbas abriu, dando-me passagem.
Entrei de rompante, exasperado e, perante o meu olhar, deparou-se um enorme salão, cujas paredes se apresentavam integralmente cobertas por ricas estantes em madeira exótica, repletas de encadernações de aspecto antiquíssimo. No centro do salão, dois enormes cadeirões, estofados a veludo grenat, sobre uma imensa carpete persa, ao lado de cada cadeirão uma luz de leitura, na parede do fundo, uma lareira onde crepitava um ténue fogo.
De pé, ao lado de um dos cadeirões, Amélia esperava-me.
Recebeu-me com um sorriso, um sorrijo que já me era familiar e que produzia em mim efeitos encantantórios.
-Bem vindo Bartolomeu, vejo que aceitaste o meu convite para passear a cavalo, vou mostrar-te a nossa propriedade.
- Nossa? Perdão Amélia, eu nem sei onde me encontro, ou sequer com quem estou e, gostava imenso que me esclarecesses acerca disso.
Amélia apróximou-se mantendo o seu sorriso adorável e enigmático, retorquindo -Porquê essa irritação toda Bartolomeu? Não estás a ser bem recebido na nossa casa? A minha companhia não te é agradável? Ha algo que te esteja a desagradar?
-Nada disso Amélia, simplesmente encontro-me num local que desconheço, acompanhado por pessoas que tambem não conheço e acontecem coisas que ultrapassam o meu entendimento, gostava bastante que me esclarecesses de tudo isto.
Améli voltou-se e em passo lento voltou para junto do sofá onde se encontrava quando cheguei, sem se voltar, respondeu-me - Lembras-te bartolomeu da noite em que nos conhecemos?
Sim, lembro-me perfeitamente, respondi-lhe.
-Lembras-te que nessa noite formulaste mentalmente um desejo?
-Ahhhh... lembro... mas, esse desejo, como dizes, não foi mais que mental, não o mencionei a ninguem.
-Para além de mental, foi formulado Bartolomeu, o bastante para que uma entidade tenha decidido satisfazêr-to.
Ri-me, um riso nervoso que tentava afastar maus pressentimentos, dirigindo-me de novo a Amélia, tentando brincar com a situação ripostei.
- Seria muito engraçado se as coisas funcionassem desse modo Amélia, um fulano formulava um desejo e plim plim plim, tudo acontecia num passe de mágica.
Amélia fingiu ignorar a minha brincadeira e continuou.
- Lembras-te ainda que me ofereceste ajuda nessa noite e que te disponibilizaste para me transportar a casa?
- Sim também me recordo.
- E recordas-te ainda que aceitaste deliberadamente o meu convite para permanecer nesta casa.
- Bom, o convite que me fizeste nessa dia, entendi-o com carácter não definitivo e, como uma cortezia da tua parte por te ter prestado auxílio.
- Bom, na verdade Bartolomeu, foste tu que pediste auxílio, no momento em que formulaste o teu desejo.
- Lembraste ainda de quando, após nos beijármos a primeira vez e ainda antes de fazermos amor eu te declarei que irias ser meu para sempre e tu selaste esse acordo, beijando-me com toda a tua alma? Nesse momento, entregaste-te a mim incondicionalmente e para sempre!
-Irra Marquesa, eu não fiz acordo algum, tudo não passou de um momento, até concordo que me senti apaixonado, que efectivamente senti dentro de mim um impulso, uma atracção imensa por ti, mas nunca pensei em algo para sempre.
Amélia, voltou-se de novo para mim, exibindo ainda no rosto aquele seu sorriso marivilhosamente encantantório e calmamente respondeu-me.
- Vamos então dar o nosso passeio?

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

Ano novo...

Acordou-me do doce torpor em que me achava, uma leve agitação na àgua a meu lado.
Abri os olhos e regressando à realidade do momento, vejo ao meu lado a figura quieta de Pelítia que, de olhar baixo,erguia as mãos em concha e derramava àgua do banho sobre o meu peito.
Olhei de imediato para Amélia, tentando adivinhar na sua expressão a definição que buscava para tudo o que se passava. Amélia não deixou que o seu olhar se encontrasse com o meu e fingindo-se distraída com a observação do seu rosto num pequeno espelho de poilette, mostrava-se alheada do que se passava à sua volta.
Sem me olhar, Pelítia começou então a passar levemente as suas níveas mãos sobre o meu peito, ombros, peito novamente, descendo em seguida até à cintura, enquanto curvava o tronco na minha direcção, apróximando assim o seu rosto do meu.
Amélia continuava entretida com o seu espelho, fingindo ainda não prestar atenção ao que se passava entre mim e Plítia.
Uns momentos após se deter na minha cintura, Pelítia avançou com brandura os seus dedos na direcção da minha zona pélvica, enquanto, encostando o seu rosto ao meu, apróximou a sua boca do meu pescoço.
Senti que de novo o meu membro ganhava volume e rijeza, Pelíntia, sentiu-o tambem subir e ganhar rijeza e segurou-o com mais determinação, começando a massaja-lo lenta, mas determinadamente.
Nesse momento senti uma ligeira picada no pescoço, e numa fracção de tempo recordei-me da sensação que tinha sentido anteriormente no pescoço, o que me fez afastar bruscamente de Pelítia.
Instantaneamente, Amélia soltou um grito de obediência a Pelítia que de imediato se sentou no chão da banheira, dobrando as pernas e cruzando os braços em redor do tronco, enquanto lançava um olhar de ódio à sua ama exibindo ainda dois dentes caninos proeminentes.
Disparou-me o coração num susto tremendo.
Amélia percebendo o meu estado de ansiedade e espanto, sossegou-me com um sorriso muito meigo, enquanto me dizia - Não te assustes Bartolomeu, não se passa nada de mal contigo, é que Pelítia por vezes perde um pouco a razão e esquece as minhas ordens, mas podes estar seguro, desde que estejas junto de mim, ela não se irá atrever.
Dizendo isto, Amélia levantou-se, enquanto fazia um sinal a Pelítia que se levantou também, saindo da banheira e colocando um amplo roupão em volta de Amélia.
Levantei-me também, ainda inseguro de todas aquelas estranhas atitudes.
Então Pelítia, sempre com o olhar colocado no chão apróximou-se, oferecendo-me também um roupão. Olhei Pelítia e de novo me sobressaltei, a sua túnica, tal como o seu corpo, encontravam-se completamente secos, como se nunca tivesse estado dentro de àgua. Fiquei imóvel olhando Amélia e Pelítia saindo de mão dada por uma outra porta em que ainda não tinha reparado. Enquanto caminhava, Amélia convidou-me a regressar ao meu quarto e vestir uma toilete que já me havia sido separada pelo mordomo.
Quando entrei no quarto, ainda hesitante, encontrei Jarbas prefilado a par de um cabide de pé alto, onde estava colocado um fato de montar.
Pensei comigo mesmo... esta gente está a gozar comigo, ou então estou dentro de um daqueles sonhos de onde não conseguimos saír, por mais vezes que se acorde.
Decidi dirigir-me então a Jarbas e com um sorriso provocador, indaguei - então Jarbas, hoje vai haver montaria? helooo... montaria, tás a ver?... caça ao javali... javali... porco, homem!
Sem perder a pose erecta e mantendo o seu ar fleumático de nobre inglês, Jarbas respondeu-me - A Senhora Marquesa Amélia, convida Vossa Excelência a acompanha-la num passeio a cavalo nos terrenos da propriedade.
Decidi voltar a provocar o mordomo, tentando exaspera-lo e criar uma brecha na sua atitude que me pudesse ajudar a compreender todo aquele enredo e lancei-lhe - Ena Jarbas, fartas-te de falar e nem te engasgas, andas a praticar algum tipo de exercício linguístico? hmmm? língua... exercício... coiso e tal... hmmm?
Fui brindado com a mudez fleumática de Jarbas que mantendo o olhar num infinito inexistente, fez questão de ignorar a minha pergunta jucosa.
Insisti na provocação e atirei-lhe - Olha lá Jarbas, descontrai homem, estás aí tão hirto, parece que engoliste um pau de vassora.
Nada!
Jarbas manteve-se imóvel e imperturbável...

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Luz da Lua

Invade-me essa luz forte da lua.
Afaga-me esse prateado efémero
feito em mim, pele de mulher nua
excita-me, acaricia-me, etéreo.

Percorre-me as veias, os sentidos,
fere-me, reconforta-me, endoidece-me
leva-me inebriante a lugares perdidos
Tento prendê-lo em mim, mas foge-me

Magentiza-me asfixia-me, a magia desse luar
A intensidade dessa luz reflectida
Tal como me magnetizou um dia o teu olhar
Tal como me asfixiou, um dia a tua partida.

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Não consegues apanhar-me...

De súbito, entras-me de rompante pela janela da memória. O motivo por que o fizeste, ultrapassa toda a minha capacidade de entender, resta-me a certeza da recordação.
Atónito pela tua presença inesperada, embriago-me com o perfume que julgava ter ja esquecido e que começa a envolver-me completamente. É o teu perfume! Semi-cerro os olhos e torno mais viva a tua imagem no meu cerebro e no meu coração. Oiço o teu riso vivo de criança ladina. Oiço o teu desafio insistente para corrermos na praia. Sinto o teu beijo de convencimento e sigo-te.
E fazes como sempre fizeste quando corríamos e eu fingia que não conseguia ser mais veloz só para poder apreciar a graciosidade dos teus longos cabelos soltos ao vento e a leveza do teu corpo esbelto que parecia flanar alguns passos à minha frente. E voltavas o teu belo rosto, rindo abertamente enquanto repetias... não consegues apanhar-me... não consegues apanhar-me... não consegues apanhar-me...
Não consegui... não soube... apanhar-te... conquistar-te.
Sobraste-me em vivacidade, em desejo de infinito e de conquista.
Derrotou-me o medo de não de não acreditares no meu amor!!!

sábado, 19 de janeiro de 2008

Sem saber se existo...

Sem eu querer
Os teus seios atraíram o meu olhar
Sem eu saber
Os teus lábios quizeram-me beijar

Sem eu pedir
Nossas mãos percorreram nossos corpos
Sem eu ouvir
Pediste-me para te amar

Sem eu sentir
Inundaste-me de amor todos os poros
Sem eu mentir
Banhaste-te nos meus olhos de mar

Sem me mover
Libertaste em mim toda a paixão

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

O Ano Novo do Bartolomeu, continuação...

Apesar de o dia se apresentar invernoso e de me achar despido sobre a roupa de cama, a minha pele e a de Amélia que se achava deitada ao meu lado, quase queimavam.
Ainda aturdido pela velocidade vertiginosa a que os acontecimentos recentes tinham ocorrido, tentei reorganizar os pensamentos, as memórias e as imagens que se iam sucedendo no meu espírito. Tudo se apresentava incrivelmente irreal, porém, ao meu lado, naquela cama, lá estáva o corpo divinal de Amélia, mágicamente despido, como que atestando a realidade do que me parecia irreal.
Voltei-me então para Amélia que me olhava serena, suave e linda. Tive a sensação que o seu corpo flutuava, esfreguei os olhos tentando retirar o resto de turpor que pudesse fazer-me entender erradamente o que via. Amélia flutuava, talvez a um centímetro da roupa de cama, mas tinha a certeza que a pele das suas costas não a tocava. Amélia flutuava! Admirado, estendi a mão na sua direcção, tentando tocar-lhe. Nesse momento Amélia, com uma agilidade surpreendente, e antes que a tocasse, levantou-se, colocou de novo o robe e exibindo o seu sorriso mais amoroso, estendeu a mão na minha direcção, enquanto me pedia... vamos tomar um banho Bartolomeu?
Senti que algo me impulsionava, fazendo com que saltasse da cama e num ápice me encontrasse de mão dada com Amélia, que me conduziu para o quarto de banho.
Não trocámos uma palavra enquanto percorríamos o espaço que nos separava da porta, quando entrámos, deparei com a presença de uma figura feminina que ainda não havia conhecido até àquele momento.
Tratáva-se de uma jovem, aparentando 15 ou 16 anos, de aspecto frágil, tom de pele ligeiramente nacarada, olhos grandes, mas inexpressivos, cabelos loiros muito longos, seguros por uma tiara ornamentada de profusas flores minúsculas de multi cores, vestia uma túnica branca, fina, de onde transparecia integralmente o seu corpo esguio e franzino. Segurava numa das mãos um pote de cristal, de onde retirava sais aromáticos que ia espalhando na água da banheira.
Logo que entrámos, Amélia apresentou a nova personagem.
Esta menina chama-se Pelítia, é minha aia, mantem-se permanentemente ao meu lado e satisfaz-me em todos os meus desejos.
Enquanto fazia esta apresentação, Amélia passava meiga e lentamente a costa dos seus dedos pelo rosto de Pelítia. Enquanto que esta, mantendo o olhar baixo, desenhou uma breve flexão de joelhos, demonstrando obdiência e assentimento.
Achei que não me devia dirigir a Pelítia, mas não deixei no entanto de a observar, tentando intuír o significado de todo aquilo que se me estava a revelar.
Amélia parou em frente a Pelítia e voltou-se de costas, enquanto esta, poisando o pote dos sais lhe retirou o robe que a cobria. Depois, Amélia, deu-me de novo a mão e conduziu-me à banheira, de onde tinha começado a saír um leve vapor de água. Entrámos, a água estáva surpreendentemente gelada, porém isso não me causava qualquer incomodo, pelo contrário, senti que aquele gelo em contacto com a pele, me conduzia para um bem estar relaxante, convidando-me a descontraír. Entrei completamente naquela água revigorante, semi-cerrei os olhos e senti os pensamentos de novo a viajar. Lentamente, voltei a concentrar a atenção no local onde estava e em tudo o que me rodeava , abri os olhos. Estava realmente dentro daquela imensa banheira, onde tambem se encontravam Amélia e Pelítia, que suavemente deitava água com uma concha de prata sobre os ombros da sua ama...