segunda-feira, 12 de novembro de 2007

Poema Vago

Vagueei por entre vagas de vaguidão
Vaga-lume vagante, vagamundo.
Vagueza, vagarosa de vagabundo
Vagueando, espaço vago de um vagão

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

Ao Luar...

Dança-te o prateado luar nos meus braços
Alva... nua... terna... brilhante e solta
Riscam os astros nos céus os teus traços
Desenham teu corpo em nuvens envolta


Sonho-te inatingível arte, flutuante
Perfaço-me, matéria inconcluída
Alcanço-te num tempo já distante
Catedral só de beijos construída


Explodimos nossos beijos fermentados
Mordemos nossos lábios em desatino
Deixámos nossos corpos enterrados
Num passado, apressado de destino

À Noite...

À noite és volúpia, és magia
És um encanto, um mistério
És o desejo que me contagia
Me confunde, dos sentidos o império


És a estrela mais brilhante
O luar mais prateado
A mais doce e terna amante
Fogueira de fogo ateado

E eu, errante cavaleiro
Conquistando teu castelo
Beijo teu colo altaneiro
Guardião do Sete Estrelo

À Tarde...

És a gazela, que persegue o leão
Temerária, destemida, insinuante
Corpo ardendo de tesão
Buscando, não mais que um instante

À tarde és Diana, deusa da caça
Ardilosa, transpiras manha
Mordes, arranhas, amordaças
À tarde és a fera que abocanha

À tarde, surpreendes-me d'embuscada
Atrais-me e seduzes muito lânguida
Rasgas-me a roupa, a pele suada
Sacias toda a fome apetecida

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

Ao acordar...

Entras-me na pele, como a chuva quando penetra a terra sêca
Invades-me os sentidos, como o sol, quando me entra pela janela
Insinuas-te nos meus desejos, como o aroma da fruta madura
Amas-me com loucura, entonteces-me com um brilho que me ofusca
Dás-me o teu gosto a provar, esse gosto doce-amargo de canela
Ofereces-me essa rosa, rubra, que eu desfolho com desejo e brandura

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

Palavras Soltas ;)))

As palavras são odaliscas
Doces, suaves, ariscas
O poeta é um sultão
Um tremendo palavrão

A palavra é uma ave,
Uma folha solta ao vento
O poeta é um ramo
Diz à palavra, eu te amo
Pede ao vento que o salve
Faz do verso um momento

O poema é o poeta
Ambos serão a canção
São a força que despoleta
A mais bela relação

segunda-feira, 29 de outubro de 2007

Alternâncias...

Aqui, neste limitado ambiente virtual, sinto-me confinado, reduzido à expressão escrita, limitado pela falta da fonética.



Deixo ficar pedaços de mim
Espalhados pelo tempo
Memórias âmbar e marfim
De um passado que antecipo

Guardo o perfumado jasmim
Com que aromatizaste o meu campo
Guardo o cenário em cetim
Onde me fizeste deus do Olimpo

Subo montanhas, penedias agrestes
Sento-me, admirando o mundo
Recordando os beijos que me deste
Calando esta dor lá bem no fundo

E fico, não me solto das memórias
Vagueio por entre sons e imágens
Rio das lembranças, das histórias
Adormeço, escutando o vento entre as ramagens