sexta-feira, 19 de outubro de 2007

Tenho de deixar de fumar aquelas coisas...

Não seriam ainda 11 horas, quando o relógio do quarto, bateu na sala as 12 badaladas, por toda a casa se ouviu o ruído silencioso que soou no corredor. Passos lentos, aproximaram-se rapidamente à distância. Inesperadamente, tal como calculava, ela apareceu, nua, vestindo uma túnica opaca de tecido transparente que não deixava adivinhar os contornos do seu corpo liso. Sorriu-me sem que qualquer músculo do seu rosto vibrasse, imóvel estendeu a mão na minha direcção, apontando a pedra da lareira. Olhou-me de costas, flectiu a perna esquerda que se mantinha direita e sem articular uma palavra, afirmou perguntando. Chove lá fora, está um belíssimo dia, para sair, ficamos em casa hoje!?. Estranhei a certeza com que me admirei por não me surpreender pelo beijo oferecido que não me deu. Sobressaltei-me calmamente quando num gesto súbito, longamente reflectido se ajoelhou à minha frente e me abraçou por trás. Confesso negando que naquele momento, volvidos alguns minutos, um frio abrasador circulou parado por fora do interior do meu ser inexistente, adormecendo os sentimentos insensivelmente despertos. Levantei-me imóvel e conduzi-a parada ao sofá da cama. Lentamente, beijei-a apressado sem lhe tocar, minutos depois, sem que o tempo tivesse passado, rebolámos imóveis no colchão do tapete. Os seus gritos de prazer inaudíveis, soaram calados na sua apatia. O seu corpo húmido, desfez-se por inteiro na aridez do seu espírito… Olhámo-nos invisíveis, sonhámos a realidade de nos amarmos sem ainda nos conhecermos e numa atracção de afastamento unimos nossos corpos separando-os, numa fúria mansa, incontida na prisão, de termos hoje o que amanhã seremos.

Hoje...

Today, apetece-me falar sobre mim, apetece-me falar sobre este ser que já conta 50 anos de idade... -hum??? -52? Seja! só não entendo o porquê de tanta importância a dar a 2 anos. Bom, sejam 52, ou 50 o que eu quero dizer é que, durante este tempo e desde que me recorde tenho feito muita questão em auto-conhecer-me, e consequentemente indicar a mim próprio a forma mais equilibrada e honesta de me gerir e de me projectar neste mundo de conciliações e permanentes ajustes. O resultado desse auto-conhecimento, leva-me a concluir que não saio significativamente do padrão "normal". Sou exigente comigo mesmo, respeito e exijo que me respeitem, e sobretudo, vejo sempre nos outros alguem que percorre o mesmo caminho, tentando chegar tambem a um objectivo.
Desde que me recordo também, a música tem acompanhado e influênciado este processo de auto-conhecimento, sobretudo a música anglo-saxónica que se produziu a partir de meados da década de 60, até à década de 80. Vários foram os grupo e os temas que exerceram essa influência e ajudaram a moldar o meu carácter. Entre eles destaco Beatles, Supertramp, Cat Steavens, Dire Straites, Genesis, Pink Floyd, Rolling Stones, Elkie Brooks, Janis Joplin, Jimi Hendrix, Eric Clapton.
Ouvi muitos outros, porém e se não me estou a esquecer de algum, foram estes os mais importantes, com especial preferência pelos temas, por ordem sequêncial: "Imagine" e "Hey Jude" - "Give a Little Bit" e "The Logical Song" - "Father and Son" e "You'll Be My Love" - "A Dream so Strong" e "Angel of Mercy" - "Musical Box", "Fountain of Salmacis" e Home By The Sea" - "House Of Rising Sun" e"Tell Me" - "Pearl's A Singer" e "Roadhouse Blues" - "Piece Of My Heart" e "Cry Baby" - "Hey Joe" e "Little Wing" - "Cocain" e "Wonderful Tonight".
Depois e em algumas épocas, simultâneamente, surgiram a música clássica, a música Celta e os cânticos Gregorianos.
Em resumo, existe uma afinidade entre mim e o José Cid, ambos "nascemos prá música", só que ele é mais música e eu... mais letra lololl ah e existe uma diferença entre os dois que nos distingue, ele tem um CD, no lugar onde eu tenho um penizzzz.

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

Tu e Nada

Corro... parado no tempo,
Na pressa lenta de,
Chegar, partindo

Enfraquece o desejo crescente
De ter nada, cá dentro
De desejar o feio, tão lindo

Distraio-me, sempre atento
Lembrando-me da saudade, de
Chorando te ver rindo

E, sozinho entre a gente
Vou-me soltando do enclaustro
De te ver chegar, partindo

domingo, 14 de outubro de 2007

A palavra...

A todos quantos, a palavra os detém
A todos quantos não a usam por temor
A todos aqueles que a olham com desdém
Ou que lhe trocam o sentido a desfavor


A todos aqueles que lhe chamam palavrão
Ou que a vêem só com olhos de suspeita
A todos aqueles que não a unem à razão
A todos quantos a confundem com maleita


A todos esses, a quem ela repugna e enjoa,
A todos esses, vou revelar um segredo
A palavra só ofende, a palavra só magoa,
Se dentro de nós houver medo

sábado, 13 de outubro de 2007

Um, Dó, Li, Tá

Trazes pedaços de sol e de mar
serenos, pendurados no cabelo
Trazes estrelas nos olhos, luar
fantasia, tudo em ti, é tão belo


Trazes solto, no corpo o areal
Dunas onde guardas teu segredo
Da tua voz, o timbre tão real
Que ecoa pelo mar, livre, sem medo

Sorris menina, ainda de sol dourado
Recolhes conchas que a onda oferece
Nesse teu jeito, simples, apaixonado
Vives o sonho contido numa prece

Ali vem...

Ali vem, ali vem um lenhador
De machado e de serra bem armado
Finalmente vai parar aquela dor
Desfechando neste tronco o seu machado

Mas, não parou aquele lenhador malvado
Distraído, não me viu em seu passar?
Volta aqui, óh lenhador apressado
Ha um trabalho que precisas acabar

Lá vai ele, afasta-se sem me notar
Abandona-me, insensível, ao sabor
Deste tempo que não para p'ra me dar
Um momento, um momento, por favor...

Sim, eu sei...

Sou uma árvore mal plantada
De raízes tortas mal fundadas
Presa a torrões, desamparada
De fracas, nuas e toscas ramadas

Alcandorada numa encosta resvaleira
Enfrentando estios, ventos e chuvadas
Por companhia uma pedra zombeteira
E uma raposa que se perde pelas quebradas

Dias ha, que me acorda um breve canto
De ave que passa sem notar na solidão
Destes ramos que despidos do seu manto
Esquecem nos anos o sabor de uma paixão

Cada inverno, cada verão trazem esperanças
De ser chegado o final deste tormento
Às ventanias vou soltando as lembranças
A cada raio imploro que me toque um momento