Trazes pedaços de sol e de mar
serenos, pendurados no cabelo
Trazes estrelas nos olhos, luar
fantasia, tudo em ti, é tão belo
Trazes solto, no corpo o areal
Dunas onde guardas teu segredo
Da tua voz, o timbre tão real
Que ecoa pelo mar, livre, sem medo
Sorris menina, ainda de sol dourado
Recolhes conchas que a onda oferece
Nesse teu jeito, simples, apaixonado
Vives o sonho contido numa prece
sábado, 13 de outubro de 2007
Ali vem...
Ali vem, ali vem um lenhador
De machado e de serra bem armado
Finalmente vai parar aquela dor
Desfechando neste tronco o seu machado
Mas, não parou aquele lenhador malvado
Distraído, não me viu em seu passar?
Volta aqui, óh lenhador apressado
Ha um trabalho que precisas acabar
Lá vai ele, afasta-se sem me notar
Abandona-me, insensível, ao sabor
Deste tempo que não para p'ra me dar
Um momento, um momento, por favor...
De machado e de serra bem armado
Finalmente vai parar aquela dor
Desfechando neste tronco o seu machado
Mas, não parou aquele lenhador malvado
Distraído, não me viu em seu passar?
Volta aqui, óh lenhador apressado
Ha um trabalho que precisas acabar
Lá vai ele, afasta-se sem me notar
Abandona-me, insensível, ao sabor
Deste tempo que não para p'ra me dar
Um momento, um momento, por favor...
Sim, eu sei...
Sou uma árvore mal plantada
De raízes tortas mal fundadas
Presa a torrões, desamparada
De fracas, nuas e toscas ramadas
Alcandorada numa encosta resvaleira
Enfrentando estios, ventos e chuvadas
Por companhia uma pedra zombeteira
E uma raposa que se perde pelas quebradas
Dias ha, que me acorda um breve canto
De ave que passa sem notar na solidão
Destes ramos que despidos do seu manto
Esquecem nos anos o sabor de uma paixão
Cada inverno, cada verão trazem esperanças
De ser chegado o final deste tormento
Às ventanias vou soltando as lembranças
A cada raio imploro que me toque um momento
De raízes tortas mal fundadas
Presa a torrões, desamparada
De fracas, nuas e toscas ramadas
Alcandorada numa encosta resvaleira
Enfrentando estios, ventos e chuvadas
Por companhia uma pedra zombeteira
E uma raposa que se perde pelas quebradas
Dias ha, que me acorda um breve canto
De ave que passa sem notar na solidão
Destes ramos que despidos do seu manto
Esquecem nos anos o sabor de uma paixão
Cada inverno, cada verão trazem esperanças
De ser chegado o final deste tormento
Às ventanias vou soltando as lembranças
A cada raio imploro que me toque um momento
Um verso
Lavo a alma com pedaços de fogo, soltos
Ardo as penas, qual phenix despedaçada
E das cinzas não renascem os meus votos
Porque a chama deste fogo está gelada
Marco o tempo e o desejo de te ver
Falto ao verbo, nao encontro a palavra
A corrida que me levava a escrever
É um chão que minha pena não desbrava
Mas marcho, desbastando a aridez
Rebuscando nos recantos a expressão
Esperando o regresso da fluidez
De um verso, recheado de inspiração
Ele virá, como vem sempre que o chamo
Ele será meu consolo minha calma
Eu serei o seu servo e ele meu amo
Eu entrego-lhe o meu corpo e ele a alma
Novo caminho surgirá nesta assunpção
Novas marcas e desafios a vencer
Todo o verso constitui uma canção
Toda a rima gera um novo amanhecer
Ardo as penas, qual phenix despedaçada
E das cinzas não renascem os meus votos
Porque a chama deste fogo está gelada
Marco o tempo e o desejo de te ver
Falto ao verbo, nao encontro a palavra
A corrida que me levava a escrever
É um chão que minha pena não desbrava
Mas marcho, desbastando a aridez
Rebuscando nos recantos a expressão
Esperando o regresso da fluidez
De um verso, recheado de inspiração
Ele virá, como vem sempre que o chamo
Ele será meu consolo minha calma
Eu serei o seu servo e ele meu amo
Eu entrego-lhe o meu corpo e ele a alma
Novo caminho surgirá nesta assunpção
Novas marcas e desafios a vencer
Todo o verso constitui uma canção
Toda a rima gera um novo amanhecer
terça-feira, 9 de outubro de 2007
Balbina IV
Como bem se recordarão, Balbina III, terminou com a seguinte frase... "Sem que Braclané tivesse pressentido, Bela Racha assiste silenciosa, num canto recôndito do quarto, ao desenrolar de todos estes acontecimentos..."
Iremos hoje dedicar-nos um pouco a conhecer as origens desta fiel e discreta serviçal. Bela Racha é uma jovem de 23 anos, rapariga trigueira nascida nas agreste terras das beiras interiores, no seio de uma família paupérrima, que partilhava com 7 irmãos, todos homens.
Iremos hoje dedicar-nos um pouco a conhecer as origens desta fiel e discreta serviçal. Bela Racha é uma jovem de 23 anos, rapariga trigueira nascida nas agreste terras das beiras interiores, no seio de uma família paupérrima, que partilhava com 7 irmãos, todos homens.
A casa onde Bela Racha nasceu, pouco mais era que um mísero casebre, obrigando a que todos os filhos dormissem envolvidos na palha do estábulo, juntamente com os animais.
Certa noite de inverno, em que o frio se fazia sentir tão intensamente que não permitia que a Bela Racha adormecesse, estranhos ruídos, semelhantes a profundos e semi-abafados gemidos, chamaram a sua atenção para um canto do estábulo. Atraída pela intensidade dos gemidos, acompanhados do balido de uma ovelha, Bela Racha, abandonando o velho cobertor em que envolvia o corpo, rastejou silenciosamente na direcção do magnético canto. Chegando a escassa distância, notou iluminada por uma nesga de luz da lua que entrava por uma janelinha do estábulo, a silhueta do seu mano Maço Fortes, que em movimentos frenéticos, de calças arreadas, agarrado aos quartos traseiros da ovelha Amância, gemia e grunhia que nem reco quando chega a altura de ser capado. A cena surpreendeu Bela Racha, que por momentos ficou estática, sem compreender o que se estaria ali a passar. Quando tudo terminou e o mano Fortes abandonando a Amância subiu de novo as calças, Bela Racha notou que algo muito comprido, pendia por sob o ventre do mano. Nesse momento esqueceu quase por completo o intrigante acontecimento com a ovelha e o seu pensamento fixou-se somente naquela imagem que nunca vira. Logo que se vestiu, o mano Fortes deitou-se na palha, enroscadinho na ovelha Amância e adormeceu de imediato. Bela racha quedou-se ainda por longas horas, sem que o sono lhe entorpecesse os sentidos.
A partir daquela noite, Bela Racha, passou a esperar ansiosamente que a cena se repetisse e para seu espanto, constatou logo 2 dias depois que todos os seus manos praticavam a mesma "operação" com as várias ovelhas do rebanho. Então, uma noite Bela Racha, inspirada pelo ar de satisfação que os rostos dos manos exibiam, sempre que praticavam com as ovelhinhas, decidiu que iria também ela experimentar, mas rapidamente percebeu a impossibilidade de o fazer, pois não possuía o mesmo que os manos, pendurado sob o ventre. Uma súbita angústia lhe invadiu o espírito e por várias noites chorou em silêncio emvolta no seu velho cobertor, perguntando a si mesma, que mal teria feito para não possuir aquilo que os manos possuíam?
Aquele inverno passou, a primavera seguinte também e Bela Racha definhava de desconsolo consigo mesma e não poucas vezes se achou a si mesma, observando as suas partes íntimas e puxando por aquilo que encontrava mais saliente, na esperança sempre gorada de fazer com que algo semelhante ao dos manos, lhe viesse a crescer.
Porém, numa tarde de estio em que se encontrava dormitando na frescura do palheiro, notou que o seu burro Jeremias estava diferente. Algo semelhante àquilo que pendia dos manos, mas muito maior, badalava sob a barriga do Jeremias. Ergueu-se de um pulo e aproximou-se curiosa do seu querido burro, de forma a observar de mais perto aquele prodígio. Jeremias encontrava-se imóvel, de olhos semi-cerrados, como que dormindo em pé e aquela enorme excrescência não parava de badalar, como que hipnotizando o olhar de Bela Racha. Levada por um impulso incontrolável, Bela racha ajoelhou-se ao lado do seu amigo Jeremias e sem perceber porquê, segurou com as duas mãos o enorme badalo do burrinho. Jeremias continuava imóvel e Bela Racha, sempre mais curiosa, levava a sua exploração mais adiante, apreciando a suavidade da pela do membro, em contraste com o restante corpo de Jeremias, notando ainda o calor que emanava, e a rijeza agradável. Bela Racha sentia aquele membro a palpitar nas suas mãos, como se tivesse vida própria e um novo impulso instigou-a a levar o membro do Jeremias aos lábios. Oh que ditosa sensação, seu corpo estremeceu por completo e iria jurar que o corpo de Jeremias estremeceu também. Nesse momento uma intensa sensação de amor pelo seu burro invadiu-a por completo e a sua boca abriu-se o mais possível com o desejo irreprimível de guardar dentro dela o palpitante membro de Jeremias. Não foi fácil, mas após duas tentativas, Bela Racha conseguiu aquilo que de início lhe pareceu impossível. E foi indescritível a sensação de ter dentro da sua boca o membro quente, macio e rijo de Jeremias. Desejou que aquele momento fosse eterno, e que pudesse sentir aquela imensa sensação de alegria incontida para o resto da vida. Sem retirar o membro de Jeremias de dentro da boca, Bela Racha sentou-se por baixo do seu lindo burrinho e então, numa posição mais cómoda, sentiu o desejo de sugar aquele membro que a enchia de tanta satisfação. Se bem pensou, melhor o fez e quanto mais chupava, mais intensa e irreprimível sentia a vontade de continuar a chupar. Estava Bela Racha edílicamente entregue a tão agradável tarefa, quando de súbito algo de estranho sucedeu. Sentiu que repentinamente uma torrente líquida, muito quente lhe invadiu a garganta, fazendo quase com que se engasgasse. Rapidamente retirou o membro de Jeremias de dentro da boca, verificando que de dentro dele se soltava por impulsos, um jacto de um líquido viscoso de aroma acre que lhe escorria por todo o rosto e lhe provocava uma sensação mista de euforia e de espanto...
sexta-feira, 5 de outubro de 2007
Confissão/Contricção
Confesso: Que as minhas(eus) leitoras(es) me assediam. Confesso-me vítima dos seus tresloucados desejos lidibinosos, que me coagem a escrever sobre matérias contra as quais a minha integridade moral, luta desesperadamente. Confesso ainda que apesar do meu esforço para escrever aquilo a que sou impelido, de modo a não ferir a suscepibilidade daqueles (as) que como eu se desejam preservar dos efeitos da ignomínia, tentando utilizar termos e expressões dissimuladoras de uma nudez árida vocabolar, verifico infrutífero e inócuo o meu esforço.
Contricção: Seguindo a máxima popular, que "ferida de cão, deve ser tratada com pelo do mesmo cão", vou reiniciar o cíclo intitulado "A Minha Balbina". Aproveito para avisar aquelas(es) mais sensíveis, que este ciclo irá priveligiar a boçalidade e roçar a obscenidade, senão mesmo, utilizá-la ostensivamente.
Para que ninguem seja tomado de surpreza, deixo a seguir uma lista de termos por ordem analfabética, que irão surgir com maior frequência nos próximos capítulos...
Amâncio a menina (se for capaz)
Baxatagora
Camóca prá sossega
Dá-me dá-me
Eras má boa có queu imanginába
Fazia-te um desenho britual
Gajas ò phedere
Hoji onti e amanhain
Inda um dia abemos de cumbressar
Já agora, mostra lá
Kilo qui tu queres, sei eu bain
Logo douti mais
Molha a ponta neste geli
Novembro é o mês das pulgas
Olvira anda cá ò padraste
Porca pró meu parafuso
Querias, mas tá de chuva
Roscas & canapés
Sopra sopra, chupa chupa
Todos juntos, cada vez sames menos
Ui ca pesadelo, parecia a melher do mê vezinho
Vira agora Mincalina
Xabes o que te digo?
Yngaldades mesicais
Zorzidelas calientes
Pensaram que não conhecia o analfabeto?
Contricção: Seguindo a máxima popular, que "ferida de cão, deve ser tratada com pelo do mesmo cão", vou reiniciar o cíclo intitulado "A Minha Balbina". Aproveito para avisar aquelas(es) mais sensíveis, que este ciclo irá priveligiar a boçalidade e roçar a obscenidade, senão mesmo, utilizá-la ostensivamente.
Para que ninguem seja tomado de surpreza, deixo a seguir uma lista de termos por ordem analfabética, que irão surgir com maior frequência nos próximos capítulos...
Amâncio a menina (se for capaz)
Baxatagora
Camóca prá sossega
Dá-me dá-me
Eras má boa có queu imanginába
Fazia-te um desenho britual
Gajas ò phedere
Hoji onti e amanhain
Inda um dia abemos de cumbressar
Já agora, mostra lá
Kilo qui tu queres, sei eu bain
Logo douti mais
Molha a ponta neste geli
Novembro é o mês das pulgas
Olvira anda cá ò padraste
Porca pró meu parafuso
Querias, mas tá de chuva
Roscas & canapés
Sopra sopra, chupa chupa
Todos juntos, cada vez sames menos
Ui ca pesadelo, parecia a melher do mê vezinho
Vira agora Mincalina
Xabes o que te digo?
Yngaldades mesicais
Zorzidelas calientes
Pensaram que não conhecia o analfabeto?
quinta-feira, 4 de outubro de 2007
A Debulha...
Como prometi, venho à eira a fim de debulhar o preconceito.
Declaro-me seguidor incondicional da entre-ajuda comunitária, para quem ainda não se livrou de preconceitos e possa estar a conectar esta minha afirmação com uma qualquer ligação política, ou corrente filosófica, esclareço que sou apolítico e as correntes filosóficas a que me acho filiado, são primorosamente privadas e fruto das experiências que a vida me tem proporcionado.
Antes de continuar a debulha, quero convidar todas e todos que (ainda ) lêem aquilo que escrevo, a sentarem-se aqui na eira e a participarem na debulha do preconceito.
Para nos focalizarmos na tarefa proposta, vou apresentar-lhes a matéria a debulhar. Preconceito é um substantivo masculino com o(s) seguinte(s) significado(s): conceito formado antecipadamente e sem fundamento sério; superstição; prejuízo; erro.
Este conceito, que ainda rege a vidinha de muita gente, pode dizer-se que imprime condicionalismos fortíssimos no âmbito da auto-determinação e da auto-estima de quem ainda não "aprendeu" a domina-lo. Uma vez que, pessoalmente não acredito na possibilidade de alguém conseguir viver em sociedade sem que esteja sujeito, mesmo que minimamente, directa ou indirectamente aos efeitos deste agente.
Mas, há ainda um conceito adjacente ao preconceito, não sei se mais limitador que o próprio preconceito e que eu designo por fermento do preconceito. Consiste este, em empolar e fazer proliferer o preconceito, ajudar a que se desenvolva e estenda raizes, tentando a todo o custo que essas raízes abranjam uma área, passo a passo, mais vasta.
Há efectivamente quem viva tão dependente do preconceito, que tenta a todo o custo alimentá-lo e fomentar a sua proliferação.
Há ainda aqueles que, achando-se num meio hostil ao uso do preconceito, auto-martirizam-se com a sua utilização compulsiva, colocando sempre em terceiros a "culpa" por serem vítimas desses preconceito.
Preguntar-me-heis certamente, de que forma poderemos combater com eficácia o preconceito, uma vez que se lhe reconhece a acção limitativa ao direito de cada um se expressar com a liberdade que lhe é devida?
Diz um fulano pensador, daqueles que dizem coisas que são fruto de reflexões acerca daquilo que observam, que um povo precisa de se saber respeitar, par que seja respeitado, e que, para que nos saibamos respeitar, é fundamental que nos conheçamos.
Esta, parece-me ser uma dica bastante concisa e pertinente. Se nos soubermos observar, se conseguirmos resistir ao preconceito e nos auto-conhecermos, passaremos a aceitar-nos e a respeitar-mo-nos da forma natural como somos. Sem etiquetas, sem espartilhos, sem pensamentos pré-concebidos por moralismos que se fundamentaram em vivências, épocas, locais e conjunturas diferentes. É importante sermos capazes de olhar para a nossa vida e para a de todos os que nos rodeiam e sermos capazes de vislumbrar tudo aquilo que pode constituir a felicidade e sobrepor-se ao preconceito. Pessoalmente, interpreto a vida como um monumental "puzzle" (do Mordillo, por vezes), onde só é possível encaixar uma peça, naquela peça e só naquela, e em mais nenhuma outra. Portanto, inventar aquilo que já existe, ou tentar trocar-lhe o sentido, usando o preconceito, limita a possibilidade de se avançar.
Avancemos...
Declaro-me seguidor incondicional da entre-ajuda comunitária, para quem ainda não se livrou de preconceitos e possa estar a conectar esta minha afirmação com uma qualquer ligação política, ou corrente filosófica, esclareço que sou apolítico e as correntes filosóficas a que me acho filiado, são primorosamente privadas e fruto das experiências que a vida me tem proporcionado.
Antes de continuar a debulha, quero convidar todas e todos que (ainda ) lêem aquilo que escrevo, a sentarem-se aqui na eira e a participarem na debulha do preconceito.
Para nos focalizarmos na tarefa proposta, vou apresentar-lhes a matéria a debulhar. Preconceito é um substantivo masculino com o(s) seguinte(s) significado(s): conceito formado antecipadamente e sem fundamento sério; superstição; prejuízo; erro.
Este conceito, que ainda rege a vidinha de muita gente, pode dizer-se que imprime condicionalismos fortíssimos no âmbito da auto-determinação e da auto-estima de quem ainda não "aprendeu" a domina-lo. Uma vez que, pessoalmente não acredito na possibilidade de alguém conseguir viver em sociedade sem que esteja sujeito, mesmo que minimamente, directa ou indirectamente aos efeitos deste agente.
Mas, há ainda um conceito adjacente ao preconceito, não sei se mais limitador que o próprio preconceito e que eu designo por fermento do preconceito. Consiste este, em empolar e fazer proliferer o preconceito, ajudar a que se desenvolva e estenda raizes, tentando a todo o custo que essas raízes abranjam uma área, passo a passo, mais vasta.
Há efectivamente quem viva tão dependente do preconceito, que tenta a todo o custo alimentá-lo e fomentar a sua proliferação.
Há ainda aqueles que, achando-se num meio hostil ao uso do preconceito, auto-martirizam-se com a sua utilização compulsiva, colocando sempre em terceiros a "culpa" por serem vítimas desses preconceito.
Preguntar-me-heis certamente, de que forma poderemos combater com eficácia o preconceito, uma vez que se lhe reconhece a acção limitativa ao direito de cada um se expressar com a liberdade que lhe é devida?
Diz um fulano pensador, daqueles que dizem coisas que são fruto de reflexões acerca daquilo que observam, que um povo precisa de se saber respeitar, par que seja respeitado, e que, para que nos saibamos respeitar, é fundamental que nos conheçamos.
Esta, parece-me ser uma dica bastante concisa e pertinente. Se nos soubermos observar, se conseguirmos resistir ao preconceito e nos auto-conhecermos, passaremos a aceitar-nos e a respeitar-mo-nos da forma natural como somos. Sem etiquetas, sem espartilhos, sem pensamentos pré-concebidos por moralismos que se fundamentaram em vivências, épocas, locais e conjunturas diferentes. É importante sermos capazes de olhar para a nossa vida e para a de todos os que nos rodeiam e sermos capazes de vislumbrar tudo aquilo que pode constituir a felicidade e sobrepor-se ao preconceito. Pessoalmente, interpreto a vida como um monumental "puzzle" (do Mordillo, por vezes), onde só é possível encaixar uma peça, naquela peça e só naquela, e em mais nenhuma outra. Portanto, inventar aquilo que já existe, ou tentar trocar-lhe o sentido, usando o preconceito, limita a possibilidade de se avançar.
Avancemos...
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