terça-feira, 11 de setembro de 2007

Diálogo entre Mim e Eu

Desnudo-me au teu olhar, mundo exigente
Dispo-me dos farrapos de trajar
Tentando mostrar-te que só sou gente
Sem querer tropeçar no meu andar

Não me peças por favor, grandes obras
Nem esperes de mim actos heroicos
Pois no final, sei que mos cobras
Exigindo que os mesmos fossem autênticos

Deixa-me mundo, ser pequeno
Esperar sentado pelo dia-a-dia
Não me tentes com a glória de um aceno,
Essa efémera sensação tão fugidia

Vai mundo, procurar outro que queira
Beber dessa taça envenenada
Ha muito me curei dessa cegueira
Hoje, só desejo, terminar com honra esta jornada.

(Acho que vou dar razão ao Eu. Não sei... parece-me que tem mais a ver comigo...)

segunda-feira, 10 de setembro de 2007

Plácidamente esperando pela inspiração

Gela o sol porque não vens
Secam as fontes murmurantes
Tolda-se o céu de negras nuvens
Tornam-se as belas flores aberrantes

Quando surgias a toda a hora
E ficavas comigo abraçada
Fazendo-te sentir abrasadora
Mesmo quando a noite era gelada

E tu em mim te manifestavas
Pujante, repleta de harmonia
E no meu peito te aninhavas
Fazendo a negra noite ficar dia

Eu sonhava, cantava, rodopiando
Aumentavas em mim a alegria
Até ao dia em que te dissipando
Te afastaste de mim, doce poesia

quinta-feira, 30 de agosto de 2007

Tempos de criança

Este poema é dedicado a uma amiga, que, passados anos, sente ainda o apelo daquela Angola longínqua, onde cresceu e onde deixou amigos de infância que em todos os momentos, lhe invadem de suadades os sentidos.

Eu sei que querias voar
ganhar asas, liberdade
Para à tua terra voltar,
tentar entender a verdade

Eu sei que ainda sonhas
Encontrar velhos amigos
Perguntar-lhe pelas vidas
Conhecer-lhe os destinos

Eu sei que sentes ainda
na pele, aquele calor tropical
Nos olhos a paisagem linda
Que te deu esse ar jovial

Mas aquela terra que amas
Que te viu tornares-te mulher
Quis soltar-se, ganhar asas
Quis tambem poder crescer

E são assim, minha amiga
As voltas que o mundo dá
É esse sonho que te liga
Ás memórias que guardas de lá

(neste poema, obvío títulos académicos e regras específicas de tratamento social, este poema, é uma conversa de almas)

segunda-feira, 27 de agosto de 2007

Sonhos de um Bartolomeu

Esta noite eu sonhei
que o meu país era lá
numa terra que não sei
e num lugar que não ha

Esta noite eu sonhei
com a gente do meu país
De onde vêem não sei
nem qual é a sua raíz

Esta noite eu sonhei
com o meu país cumprido
Num lugar que eu não sei
no meu coração tão querido

Esta noite eu sonhei
com a minha gente unida
Numa terra que não sei
de grandes vontades ungida

Esta noite vou sonhar
com o canto lusitano
Entoado sobre o mar
por este povo que eu amo

terça-feira, 21 de agosto de 2007

Sou... Sou? Secalhar sou, sei lá!

Sou um pedaço de nada
perdido na praia do tempo
Sou uma noite acabada
Sou um longinquo lamento

Sou a pedra abandonada
Sou o caminho esquecido
Sou a cantiga cantada
Sou um leito adormecido

Fui, a razão encantada
que um dia nos selou
Sou, a razão acabada
Daquilo que nos separou

Já não espero que regresses
que pises de novo este chão
Já esqueci todas as preces
E o calor dessa paixão

Ah, como queria não ser eu
nem ser tu... amor meu
Ser simplesmente um véu
Esvoaçando, sem rumo, pelo céu

terça-feira, 14 de agosto de 2007

Será...

Será de fera ou de fogo
esse grito louco que me fere
e não consigo conter?

Será de pedra ou de ferro
esse muro que me prende
e que não consigo erguer?

Será de nada ou de tudo
este desejo fervente
que não me deixa mover?

Será de hoje ou amanhã
esta vida latente
que me obriga a viver?

Será a força pungente
que obriga o universo a girar
que empurra toda a gente
e que me impele a gritar?

segunda-feira, 13 de agosto de 2007

Pensamentaduras

Ah... hoje eu quero sentir
as ideias a incendiar
Hoje não lhes vou resistir

E vou deixa-las aflorar

Ah... hoje eu quero ser mais
Quero ser tudo aquilo que não sou
Vou soltar a franga p'los madrigais
Libertar o poema que me abrasou

Hoje vou ser poeta, ou algo assim
Vou cantar o amor o desejo a paixão
Ireis ficar a conhecer algo de mim
Que não tem a ver com senso ou razão

Ireis conhecer o lado secreto da minha alma
A inquietude dos pensares que m'atormentam
Aquilo que me transforma a raiva em calma
Os desejos que me seguram e me tentam

Mas... é evidente e certo que não quereis
Conhecer nada daquilo que escrevi
E todas estas frases , com um sorriso abalroareis
Meio incredulos... terá sido mesmo isto que eu li?

(Ha dias que me assalta uma parvoíce incontrolável)